Logan permanecia parado diante da janela observando a rua com os braços cruzados.
Seu olhar estava carregado de irritação.
— Ainda não consigo entender como aquele idiota do Max conseguiu se aproximar do Morgan… — murmurou entre os dentes. — Nem eu consegui isso.
Alan apareceu atrás dele segurando outro pedaço de bolo.
— Acho que foi quando o Max foi limpar a piscina da casa do Morgan.
Logan virou o rosto rapidamente.
— Piscina?
Alan assentiu enquanto comia despreocupado.
— Parece que o Max caiu na água e o Morgan salvou ele.
Logan soltou uma risada debochada.
— E só por isso ficaram próximos assim?
Seus dedos apertaram o parapeito da janela.
— Francamente… isso não é justo.
Alan arqueou a sobrancelha.
— Justo?
Logan virou o rosto irritado.
— Eu sou melhor que ele em tudo.
Alan deu de ombros.
— Ah, qual foi… sei que o Max anda parecendo um maltrapilho, mas se ele resolvesse se cuidar um pouco, ia ficar elegante fácil.
Logan começou a rir alto.
— Isso nunca vai acontecer.
Então seu olhar escureceu lentamente.
— E também não vou deixar ele continuar próximo do Morgan.
Sem dizer mais nada, saiu andando.
Alan ficou olhando para as costas do irmão enquanto colocava mais bolo na boca.
— Ei, idiota… o que você vai aprontar dessa vez?
Logan apenas levantou a mão mostrando o dedo do meio antes de desaparecer pelo corredor.
Pouco depois, Maira apareceu segurando uma vassoura.
— Onde o Logan foi?
Alan suspirou cansado.
— Às vezes eu realmente não entendo aquele cara.
Maira começou a limpar os restos da bagunça espalhados pela sala.
— Nem eu.
Ela abaixou os olhos.
— O Logan é muito injusto com o Max…
Horas depois…
Max voltava no carro dos homens do chefe.
Seu corpo inteiro doía.
Os serviços daquela noite haviam sido ainda mais pesados que o normal, mas ele permanecia quieto no banco de trás olhando pela janela.
Então algo chamou sua atenção.
Seu coração travou imediatamente.
Dois homens arrastavam sua mãe violentamente pela rua.
Ela parecia desesperada.
O rosto estava machucado.
— Mãe…?
Max se levantou assustado no banco.
— PARA O CARRO!
O motorista soltou fumaça do cigarro diretamente no rosto dele antes de rir.
— Calma, moleque.
Max começou a tossir.
— Aquela vadia está indo exatamente para o mesmo lugar que nós.
Max olhou novamente pela janela.
As mãos começaram a tremer sobre suas pernas.
Seu peito apertava tanto que mal conseguia respirar direito.
O homem sentado ao lado ficou observando Max em silêncio.
Seu olhar nojento deslizava lentamente pelo garoto antes dele voltar a fumar como se nada estivesse acontecendo.
Ao mesmo tempo…
Outros homens invadiam violentamente a casa de Max.
A porta foi derrubada.
Os móveis destruídos.
May, Maira e Alan mal tiveram tempo de entender o que estava acontecendo antes de serem puxados à força para fora da casa.
No ferro-velho…
Max saiu do carro correndo assim que chegaram.
Entrou no galpão desesperado.
E encontrou a mãe caída no chão.
O rosto dela estava cheio de hematomas.
— O que aconteceu?!
Ele correu até ela imediatamente.
— Por que trouxeram ela para cá?!
O chefe apareceu calmamente fumando.
— Parece que além do seu pai me dever dinheiro…
Ele puxou violentamente o cabelo da mulher.
— Sua mãe também tentou me passar a perna.
A mulher soltou um gemido de dor.
Os olhos de Max se encheram de lágrimas imediatamente.
— Por favor… não machuca ela…
Sua voz tremia.
— Seja lá o que ela fez… eu posso ajudar.
O homem sorriu lentamente.
— Então agora você quer assumir as dívidas da mamãe também?
Max olhou para a mãe caída no chão.
Mesmo machucada…
Mesmo ausente durante tanto tempo…
Ela ainda era sua mãe.
Os olhos dele começaram a lacrimejar.
Mas ainda assim respondeu:
— Eu assumo.
Naquele instante, outro carro parou no galpão.
Max virou rapidamente.
Ao ver os irmãos sendo empurrados brutalmente para fora do veículo, o desespero tomou conta dele.
— NÃO!
Ele correu imediatamente até eles.
— Por favor! Eles não têm nada a ver com isso!
O chefe caminhou devagar até Max e se abaixou diante dele.
O sorriso em seu rosto fez o sangue do garoto gelar.
— Talvez eu aceite sua oferta novamente…
A voz saiu calma.
Assustadoramente calma.
— Mas dessa vez você vai ter que me dar algo mais.
Max ficou imóvel.
Os olhos foram automaticamente para May e Maira.
As duas choravam desesperadas.
Alan também parecia assustado.
Max sentiu o peito apertar.
Então perguntou em voz baixa:
— Depois… você vai deixar eles irem embora?
O homem sorriu satisfeito.
— Se você for um bom garoto… sim.
O silêncio caiu sobre o galpão.
May começou a balançar a cabeça desesperadamente.
— Não… por favor…
Mas Max não olhou para ela.
Porque sabia que não teria coragem de continuar se a encarasse.
Então apenas respondeu:
— Tudo bem.
O chefe segurou sua mão.
— Trancem os outros três. E ninguém toca neles.
Os irmãos foram levados à força.
A mãe de Max caiu de joelhos no chão chorando.
— Por favor! Não faz isso com ele!
Ela segurou a barra da roupa do homem desesperadamente.
— Eu posso ir no lugar dele! Por favor!
O homem apenas riu.
— Trocar uma carne nova por algo como você?
Seu olhar ficou cruel.
— Nem morto.
Então puxou Max escada acima.
A mulher desabou no chão chorando.
— Deus… o que foi que eu fiz…
Horas mais tarde…
Já era noite quando Max desceu lentamente as escadas.
O chefe jogava cartas enquanto bebia com alguns homens.
Max parou diante dele tentando controlar o tremor das mãos.
Parecia vazio.
Sem expressão.
Mas seus olhos estavam completamente destruídos.
— Senhor…
Sua voz saiu baixa.
Quase falhando.
— Posso levar meus irmãos agora?
O homem levantou os olhos lentamente antes de sorrir.
— Claro.
Então apontou para ele.
— Mas nunca esqueça…
Seu sorriso aumentou.
— Você é meu agora.
Max abaixou os olhos imediatamente.
As lágrimas ameaçavam cair novamente.
— Sim… senhor.
Ao passar pelos homens ouviu algumas risadas atrás dele.
— Então, chefe? Como foi?
O homem apenas riu satisfeito.
Max fingiu não ouvir.
Quando abriu a porta do cômodo onde os irmãos estavam, May correu imediatamente até ele.
— MAX!
A mãe dele também se levantou rapidamente.
— Filho…
Mas Max deu um passo para trás instintivamente.
Como se não suportasse ser tocado naquele momento.
— Vamos embora.
Alan saiu correndo primeiro sem olhar para trás.
May tentou tocar o braço do irmão novamente.
Mas Max se afastou mais uma vez.
— Só… vamos.
O caminho até em casa foi silencioso.
Pesado.
Parecia que algo dentro do Max havia morrido naquela noite.
Quando chegaram, Logan estava parado do lado de fora olhando assustado para a casa destruída.
— O que aconteceu aqui?!
Então percebeu a mãe deles.
— E por que ela está aqui?!
Max passou direto por ele.
— Não faz perguntas agora.
Assim que entrou em casa, pegou roupas limpas e foi para o banheiro.
Trancou a porta.
Ligou o chuveiro.
E ficou parado debaixo da água.
As mãos tremiam.
Seus olhos estavam perdidos.
Então começou a esfregar a própria pele com força.
Uma vez.
Depois outra.
E outra.
Como se estivesse tentando arrancar algo invisível do próprio corpo.
Mas não importava quanto tentasse…
A sensação sufocante continuava ali.
Então as lágrimas começaram a cair.
Silenciosas.
Dolorosas.
Do lado de fora, sua mãe bateu na porta desesperada.
— Filho… por favor… me deixa entrar…
Max encarou a maçaneta girando lentamente.
Seu corpo inteiro estremeceu.
A respiração ficou irregular.
Então ele levou as mãos até a cabeça e se abaixou no chão do banheiro.
— Para…
Sua voz saiu quebrada.
— Por favor… para…
Os irmãos ouviram os gritos abafados vindo do andar de cima.
May imediatamente subiu correndo.
Enquanto isso, Logan recolhia algumas roupas espalhadas pela sala.
— Agora enlouqueceu de vez.
Ele soltou uma risada fria.
— Daqui a pouco fica igual ao pai drogado… e àquela vadia.
— CALA A BOCA! — May gritou furiosa.
A mãe deles abaixou a cabeça em silêncio.
May então se aproximou da porta do banheiro.
— Irmão… você está bem?
Lá dentro, Max tentou controlar o choro.
— Estou…
A voz falhou novamente.
— Só quero ficar sozinho um pouco.
May encostou a testa na porta.
Os olhos cheios de lágrimas.
— Por favor… deixa eu te ajudar…
Max fechou os olhos com força.
A água continuava escorrendo sobre ele.
Fria.
Pesada.
Como se estivesse tentando afogar tudo o que havia acontecido naquela noite.
— Não precisa se preocupar comigo…
Depois respirou fundo antes de continuar:
— E não saiam de casa hoje.
May percebeu imediatamente o medo escondido na voz dele.
— Tá bom…
Ela limpou as lágrimas.
— Vou ficar lá embaixo… me chama se precisar.
Os passos dela se afastaram lentamente.
E Max continuou sozinho debaixo do chuveiro.
Enquanto a água caía sem parar…
…e levava embora o pouco que ainda restava dele.