Capítulo 4

Assim que os investidores foram embora

Nathan fechou a porta e se virou lentamente.

Muito lentamente

isso não era bom sinal.

ele ficou me encarando.

o silêncio que ficou na sala era tanto que dava para escutar o ar condicionado funcionando.

comecei a me mexer desconfortável

Ele se aproximou.

tive que quebrar o silêncio

— Antes de qualquer coisa… quero deixar claro que foi um erro coletivo.

Nathan piscou devagar.

— Coletivo?

— Sim. Meu cérebro, minha boca e o destino trabalharam juntos.

Nathan passou a mão no rosto.

— Você tem noção que inventou um noivado?

— Tecnicamente foi isso mesmo.

— Comigo!

— Esse detalhe complica um pouquinho.

Nathan se aproximou mais.

— Você realmente tem noção das proporções dessa sua mentira?

— Mais ou menos.

Ele respirou fundo com a mão no rosto.

— Mas pode ficar tranquilo que eu resolvo.

Ele tirou rapidamente a mão.

— Você não vai resolver mais NADA entendeu?

Ele começou andar pela sala .

de repente parou de andar e se virou para mim novamente.

— Eles são pessoas que prezam pela estabilidade familiar mais que qualquer coisa. — disse com aquele olhar sério de CEO que normalmente fazia diretores entrarem em pânico — Se descobrirem a mentira, não assinam o contrato… e minha empresa perde milhões.

Pisquei.

— Sem pressão então.

Ele me encarou.

— Lily, isso não é uma piada.

— Eu sei.

— Tem certeza? Porque você transformou uma reunião corporativa em uma novela mexicana.

sorri porque era uma ótima comparação.

— Pelo menos não teve tapa na cara.

Nathan respirou fundo novamente.

O tipo de respiração que alguém faz antes de tomar uma decisão extremamente questionável.

— O jantar não será apenas social. Será a assinatura do contrato.

Cruzei os braços.

— Então você está dizendo que…

— Teremos que ser muito convincentes nessa sua loucura.

respirei fundo.

— Sem pressão então.

— Com muita pressão. Porque agora nosso noivado falso agora vale milhões.

Silêncio.

Silêncio longo.

Pisquei algumas vezes.

— Você quer fingir que está noivo de mim?

— Não.

— Ótimo.

— Mas vamos fazer isso mesmo assim.

Fiquei olhando para ele.

— Essa é oficialmente a pior decisão que você já tomou na vida.

— Não.

— Não?

— A pior decisão foi te contratar.

Fiz uma careta.

— Nossa, isso foi pessoal.

Nathan ignorou completamente.

caminhou até o notebook e começou a digitar

— O que está fazendo? — perguntei.

— Um contrato.

Pisquei.

— Eu já trabalho aqui. Não precisamos formalizar mais nada.

Ele me encarou.

— Esse não é um contrato de trabalho.

Ele virou para mim.

No topo da folha estava escrito em letras enormes:

CONTRATO DE NOIVADO

Fiquei olhando.

Depois olhei para ele.

Depois para o notebook.

— Você quer escrever um contrato… — comecei devagar.

— Sim.

— Para um noivado falso.

— Exatamente.

Balancei a cabeça.

— Isso é psicologicamente perturbador.

Nathan ignorou completamente.

Ele digitou mais algumas coisas.

— Precisamos de regras claras.

— Regras claras para um noivado que não existe?

— Exatamente.

Inclinei a cabeça.

— Você já pensou em procurar terapia?

Nathan cruzou os braços.

— Diz a mulher que inventou um noivado durante uma reunião milionária.

Ponto para ele.

Inclinei um pouco.

— E quais serão as cláusulas desse absurdo ?

Nathan continuou digitando calmamente.

me aproximei para ler

1. Duração do acordo:

O noivado falso terá duração inicial de três meses, podendo ser estendido caso seja necessário para finalização de negociações empresariais.

— Três meses?!

— Até o contrato com os investidores ser finalizado.

— Você quer fingir que está noivo de mim por três meses?

— A alternativa é perder um contrato milionário.

Cruzei os braços.

— Quando você coloca nesses termos parece até razoável.

2. Confidencialidade absoluta:

Nenhuma das partes poderá revelar a natureza falsa do relacionamento.

3. Comportamento público adequado:

Ambas as partes devem manter uma postura respeitável e coerente com um relacionamento estável em eventos sociais ou profissionais.

levantei uma sobrancelha

— Como seria uma postura coerente? — perguntei, cruzando os braços.

Ele respondeu como se estivesse explicando algo extremamente óbvio:

— Sem sarcasmo excessivo.

— Já começamos mal.

— Sem comentários impróprios.

— Isso é muito vago.

— Sem criar histórias aleatórias.

Inclinei a cabeça.

— Isso parece muito direcionado a mim.

— Porque é.

Ele finalmente levantou o olhar.

Aquele olhar sério.

De CEO.

— Um casal estável não discute em público, não se contradiz e não transforma uma conversa simples em um caos.

Fiquei em silêncio por dois segundos.

— Então basicamente… eu tenho que fingir ser outra pessoa.

— Basicamente.

— Isso é muito ofensivo.

4.Participação em eventos: A funcionária Lily deverá acompanhar Nathan em eventos corporativos quando solicitado, atuando como sua noiva.

Razoável

Eu acho .

5. Coerência narrativa: Ambas as partes devem manter uma história consistente sobre o relacionamento.

— Isso significa que eu não posso inventar coisas?

Ele parou de digitar.

Me olhou.

— Exatamente isso.

— Nem um pouquinho?

— Não.

Inclinei a cabeça.

— Você é muito rígido.

— Você é muito caótica.

Ponto.

6.Contato físico mínimo aceitável: Segurar mãos, abraços ocasionais e gestos naturais de casal são permitidos quando necessário.

Pisquei.

— “Permitidos”?

— Sim.

— Isso parece um manual de instruções.

— Porque é.

Aproximei mais do notebook.

— O que você considera “gesto natural”?

— Algo que não pareça forçado.

Olhei para ele.

— Tudo nisso vai parecer forçado.

Nathan respirou fundo.

— Então tente não piorar.

— Isso é praticamente impossível.

— Eu sei.

7. Vida amorosa externa: Nenhuma das partes poderá iniciar relacionamentos românticos públicos durante a vigência do contrato.

Arregalei os olhos.

— O quê?!

— Precisamos de consistência.

— Você está basicamente bloqueando minha vida amorosa.

Nathan apoiou as mãos na mesa.

— Lily. Você tem uma vida amorosa ativa no momento?

Abri a boca.

Fechei.

— Isso não é da sua conta.

— Então não é um problema.

cruzei os braços.

8. Imagem profissional: A funcionária Lily deverá evitar comentários ou comportamentos que prejudiquem a reputação do CEO.

Olhei para ele.

— Desde quando esse contrato virou uma lista de críticas ?

— Estou prevenindo problemas.

— Eu sou extremamente profissional.

Nathan apenas me encarou.

Em silêncio.

— Não precisa responder — falei rápido.

Ele voltou a digitar.

9. Limite de improvisos: Histórias adicionais sobre o relacionamento deverão ser aprovadas previamente.

Soltei uma gargalhada

— Você quer que eu peça autorização antes de mentir?

— Quero que você não minta além do necessário.

Inclinei a cabeça.

— Isso tira toda a graça.

— Isso mantém a empresa funcionando.

E então falou com calma demais:

— 10. Consequências: Caso a mentira seja exposta por negligência direta sua, você será demitida.

Silêncio.

Pisquiei.

— Uau.

Ele levantou o olhar.

— Algum problema?

— Só estou impressionada.

— Com o quê?

Inclinei a cabeça.

— Você conseguiu transformar um noivado falso em algo ainda mais assustador que um casamento real.

Nathan fechou o notebook com calma.

— Isso não é para ser romântico.

Sorri levemente.

— Ainda bem.

Ele me encarou.

— Isso é para funcionar.

Dei de ombros.

— Vamos ver se a gente não destrói tudo antes disso.

Nathan suspirou.

— Essa é exatamente a parte que me preocupa.

Fiquei em silêncio por um segundo.

Depois sorri.

— Vai dar certo.

— Por quê?

Inclinei a cabeça, confiante.

— Porque eu sou ótima sob pressão.

Nathan ficou me olhando.

Aquele olhar.

O mesmo de sempre.

— Esse é exatamente o problema.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP