Capítulo 06

Ao chegarmos ao local, fomos direto para o bar e pedimos doses triplas de uísque. Brindamos e bebemos.

O lugar estava lotado. Pessoas entravam e saíam o tempo todo; algumas deixavam o cassino acompanhadas, outras sozinhas. Havia grupos chegando para se divertir e pessoas que preferiam aproveitar a noite por conta própria.

Não demorou muito para Luca desaparecer. Tinha quase certeza de que já devia estar agarrado com alguma mulher em um dos banheiros.

— Oi, bonitão! Está sozinho? — Uma loira sentou-se ao meu lado.

Continuei bebendo meu uísque.

— Você não fala, bonitão? O que acha de sairmos daqui e irmos para uma festinha particular?

Observei a mulher por alguns instantes.

Tudo nela gritava falsidade.

Quando ela tentou se aproximar ainda mais, afastei-me discretamente.

— Não estou sozinho. Meu namorado chega em breve.

A mulher abriu e fechou a boca algumas vezes antes de se levantar.

Ao sair, ainda a ouvi dizer que aquilo era um desperdício.

Voltei a apreciar meu uísque em paz e, como de costume, passei a observar atentamente as pessoas ao redor.

Meu pai sempre ensinou que o comportamento humano dizia muito mais do que as palavras. Desde então, adquirir o hábito de apenas observar tornou-se algo natural. Além de prazeroso, aquilo era extremamente útil para os negócios.

Em determinado momento, surgiu a sensação de estar sendo observado.

Levantei os olhos.

Do outro lado do salão, uma mulher me encarava exatamente da mesma forma que eu analisava todos à minha volta.

Ela tentava me ler e isso era extremamente raro.

Por alguns segundos, nossos olhares permaneceram presos um no outro.

Foi necessário desviar para não chamar atenção.

Por que sinto que conheço esses olhos?

A pergunta surgiu automaticamente, talvez fosse apenas impressão ou não. A sensação de familiaridade era intensa.

Quando voltei a olhar para o camarote, ela já não estava mais lá. Pensei que tivesse ido embora, mas bastou ouvir um burburinho vindo da pista para encontrá-la novamente.

Puta que pariu...

Aquela mulher dançando era simplesmente hipnotizante.

Movia os quadris com tanta naturalidade que, por um instante, quase me levantei para convidá-la para dançar.

— Mano... olha aquela gata ali. — Luca voltou justamente naquele momento, apontando para a mesma mulher. — Na cama deve ser um verdadeiro furacão. Acho que vou lá fazer um teste.

Assim que ele fez menção de levantar, puxei-o de volta para o banco.

— O que foi? Não posso chegar na morena? — perguntou, confuso.

— Deixa a mulher em paz. Não percebe que ela só quer se divertir com as amigas?

Luca olhou para mim e abriu um sorriso malicioso.

— Tá bom, tá bom... não vou mexer com a sua mulher.

Revirei os olhos.

— Ela não é minha.

— Mas você queria que fosse.

Deu uma gargalhada.

— Fico feliz em ver que voltou a olhar para mulheres. Já estava achando que tinha virado um mariquinha.

Lancei-lhe um olhar frio.

— Quer perder essa orelha de vez?

Ele levantou as mãos em rendição.

— Tá bom, parei.

Fez uma breve pausa.

— Mas, falando sério... se está comendo a mulher com os olhos, por que não vai falar com ela?

Bufei.

— Já mandei você ir para a puta que pariu hoje? Se ainda não mandei, sinta-se à vontade para ir agora.

Luca pediu outra dose de uísque e ficou olhando para mim com aquele sorriso provocador.

— O que foi, porra? Quer me dar o cu?

Ele gargalhou.

— Não curto essas coisas, não... mas você já fez?

Balancei a cabeça.

— A ameaça sobre sua orelha continua valendo.

— Agora parei de verdade.

Voltou a beber em silêncio.

Enquanto isso, meus olhos insistiam em procurar a mulher na pista.

Foi então que um sujeito se aproximou dela e colocou a mão em sua cintura, os punhos se fecharam automaticamente. Estava prestes a levantar quando a cena seguinte me fez congelar.

Com um único golpe, ela derrubou um homem muito maior que ela, depois caminhou calmamente até ele.

Por um instante, tive certeza de que pisaria nas bolas do infeliz, mas apenas disse alguma coisa que o fez sair correndo completamente apavorado.

Logo depois, subiu em uma mesa, chamou a atenção de todos, pediu desculpas de maneira quase angelical e voltou para a pista.

— Cara... essa mulher é maluca. Quase transformou o sujeito em eunuco. — Luca comentou, rindo.

Mas a atenção continuava presa nela.

Fascinante.

No fim da noite, percebi que ela e as amigas estavam completamente alteradas pela bebida.

Apenas uma delas permanecia sóbria, ajudando as outras três a entrar no carro.

Chamei dois dos meus homens.

— Sigam aquele veículo discretamente. Quero que garantam a segurança delas até o hotel.

Os dois apenas assentiram e partiram.

Antes de o carro arrancar, ela voltou o rosto na minha direção.

Sorriu, depois acenou e sem perceber, retribuí o gesto.

Sempre consegui ler as pessoas apenas observando seus olhos, mas aquela mulher... Era uma incógnita e é exatamente isso que a torna tão irresistível.

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