Capítulo 05

Leonardo Ferraz / Matteo de Lucca

Não tem aqueles dias em que parece que tudo vai dar errado?

Pois é...

Hoje era um desses dias.

Meu carregamento de armas estava atrasado, e essa porra atrapalhava toda a minha agenda. Eu era um homem meticuloso e odiava atrasos, principalmente quando envolviam trabalho.

— Chefe, o carregamento chegou. — Nicolas me avisou.

Chamei Luca, meu braço direito, e seguimos até o local.

Enquanto Pierre dirigia, Luca e eu traçávamos um plano de fuga caso alguma coisa desse errado.

Na vida que levávamos, eram poucas as pessoas em quem podíamos confiar de verdade. Às vezes, quem dizia ser seu amigo e vivia lhe dando tapinhas nas costas era justamente quem o entregaria para outra organização em troca de dinheiro e favores.

— Chegamos, senhor Matteo. — Pierre avisou.

Antes de descermos, coloquei a máscara que cobria metade do meu rosto.

Quase ninguém conhecia minha verdadeira identidade, e isso facilitava minha vida quando precisava assumir minha outra personalidade.

Assim que chegamos ao galpão, Vand, um comerciante ilegal de armas que abastecia diversas famílias, aproximou-se de mim e estendeu a mão.

— E aí, Matteo? Trouxe apenas o melhor do melhor para você.

Olhei para sua mão estendida e depois para seu rosto.

— Você sabe melhor do que ninguém que o Matteo odeia intimidade com qualquer um. — Meu braço direito falou antes que eu precisasse abrir a boca.

Rapidamente, Vand recolheu a mão.

— Falha minha, Rei Negro. Pensei que já fôssemos amigos, afinal sempre forneço as melhores armas para você.

Ele ainda vai insistir nisso?

— Você é apenas meu fornecedor. E, se continuar me irritando, nem isso será mais.

Ele levantou as mãos em rendição.

Aproximei-me das caixas de armamento.

Luca e eu fizemos toda a inspeção enquanto Nicolas anotava a conferência do carregamento.

Quando confirmei que tudo estava em perfeita ordem, fiz um sinal para Nicolas entregar o dinheiro a Vand.

Antes que a transação fosse concluída, ouvimos uma sequência de disparos do lado de fora.

Revirei os olhos.

Luca e Nicolas já sacavam as armas.

— Ah, porra! Já é a terceira vez que essa merda acontece. — Luca resmungou.

— E hoje será a última. Vamos acabar com esses idiotas e, depois, eu mesmo irei mandar um recado para Antony.

Armados, reagimos imediatamente.

O confronto foi intenso.

Durante um momento de descuido, Luca acabou levando um tiro de raspão na orelha.

Meia hora depois...

Só havia corpos espalhados pelo chão e o cheiro forte de sangue impregnando o ambiente.

— Matteo, vou chamar a equipe de limpeza. — Nicolas avisou.

— Faça isso. E mande deixarem os corpos na porta da casa de Antony.

Meu assistente apenas assentiu.

— Luca.

Olhei para meu amigo, que agora tinha um curativo envolvendo a orelha.

— Você consegue trazer Antony até mim?

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Você está mesmo me perguntando isso? Quem sou, afinal?

Sorri discretamente.

— O Cão de Caça.

Ele abriu um sorriso satisfeito.

— Então espere por mim. Em meia hora ele estará nas suas mãos.

Luca saiu.

Entrei no carro e pedi que Pierre me levasse até o galpão principal.

Como prometido, exatamente meia hora depois Antony estava ajoelhado, amarrado e diante de mim.

— Precisava de tudo isso, Matteo? — perguntou com um sorriso carregado de sarcasmo.

Cruzei os braços.

— Olha só, Antony... hoje não estou com muita paciência. Seu pessoal quase estragou uma compra importante de armas.

Inclinei levemente a cabeça.

— E não posso simplesmente deixar isso passar.

Aproximei-me dele.

— Então me diga... como vamos acertar essa conta?

— Não dei ordem nenhuma para atacarem vocês.

Sua voz parecia sincera.

Mas, naquele mundo, existiam pessoas capazes de mentir sorrindo e eu era uma delas.

— O líder é você. Então é com você que tenho que acertar essa conta.

Apontei para Luca.

— Olhe para a orelha dele.

Antony obedeceu.

— Esse ferimento foi causado por gente da sua organização.

Luca me entregou um canivete extremamente afiado.

Assim que Antony viu a lâmina em minhas mãos, perdeu parte da arrogância.

— Matteo... juro que não mandei ninguém atrás de vocês.

Peguei uma cadeira e sentei-me calmamente diante dele.

— Então vou lhe dar duas opções.

Cruzei as pernas.

— Você encontra o filho da puta que desobedeceu às suas ordens e resolve esse problema...

Fiz uma pequena pausa.

— Ou volto atrás de você... e faço você pagar pela incompetência dos seus homens.

Sorri.

— Qual opção escolhe?

Ele engoliu em seco.

— A primeira. Eu mesmo vou entregar a cabeça do responsável.

Assenti lentamente.

— Ótimo.

Retirei um envelope da mesa.

— Porque, se isso voltar a acontecer, sua família principal vai descobrir a existência da sua família secundária.

Joguei algumas fotografias sobre a mesa.

Quando Antony viu as imagens, seu rosto perdeu completamente a cor.

A organização pertencia à família da esposa dele.

Ele administrava apenas uma parte dos negócios e naquele mundo, traições não terminavam em divórcio.

Terminavam em funerais.

Ele começou a implorar para que eu não entregasse aquelas fotos.

Levantei-me.

— Se algo parecido acontecer novamente, pode ter certeza de que essas imagens chegarão às mãos certas.

Antony quase se urinou de medo.

Fiz um gesto para meus homens.

— Levem-no até a mansão.

Assim que ele saiu, Luca começou a rir.

— Matteo... você faz jus ao apelido de Rei Negro. O cara quase se cagou.

Sorri de lado.

— E você faz jus ao apelido de Cão de Caça.

Ele riu.

— Somos os melhores no que fazemos. Tenho certeza de que, em breve, dominaremos ainda mais territórios.

Concordei com um leve aceno.

— Nisso preciso concordar com você.

Olhei rapidamente para o teto.

— Meus pais devem estar orgulhosos de mim.

Afinal, expandir a organização sempre foi o sonho deles.

Luca deu uma gargalhada.

— Ih... vê se não fica emotivo agora.

Balançou a cabeça.

— Vamos sair para beber e esfriar a cabeça um pouco?

Sorri.

Depois daquele dia infernal...

Era exatamente disso que eu precisava.

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