Capítulo 07

Phillipa Sanches

No dia seguinte, acordei com uma baita dor de cabeça. Culpa daqueles shots de tequila que bebi na noite anterior.

Liguei para minhas amigas, e as duas estavam na mesma situação. Acho que Bia estava ainda pior.

— Puta merda, meninas! Beijei um cara na porta do banheiro ontem. Estava tão bêbada que nem lembro da cara do filho da puta.

Jú e eu começamos a rir, porque Bianca sempre foi assim, desde a época da faculdade. O mais engraçado é que quem olha para ela a considera a mais quieta do grupo. Minha mãe e os pais da Júlia dizem que ficam tranquilos quando estamos com Bianca, sendo que, das três, ela é a mais louca. Até em baile funk de comunidade, Júlia e eu já fomos parar para resgatar essa maluca.

— Que grande novidade. — respondi, fazendo Jú concordar com um aceno. — Se preparem bem, porque hoje à noite começa a nossa "caçada".

— Amiga, estou ansiosa por esse momento. — Bia respondeu.

— Acho que até a dona certinha está. — Esse era o apelido que Jú havia dado para Mandy.

— Que implicância com a menina.

— Eu gosto dela, só acho muito certinha, sabe?

— Minha assistente é eficiente e foi escolhida a dedo pelo vovô Sanches antes de falecer.

Mi abuelo sempre foi excelente para ler as pessoas. Se a escolheu, sabia exatamente do que precisava. Mandy, a cada dia, supera ainda mais as minhas expectativas.

— Meninas, descansem. Vou precisar das duas inteiras mais tarde.

Elas concordaram e encerraram a ligação.

Estava prestes a ligar para Amanda quando recebi uma mensagem dela.

"Bom dia, Phillipa! Fiz uma lista de cassinos com potencial para encontrar o que você veio buscar."

Ela realmente havia preparado uma lista completa, com vários cassinos, endereços e até as capelas das redondezas.

Quando digo que minha assistente é a rainha da eficiência, ninguém acredita.

Liguei para Fábia e perguntei se o contrato de casamento que havia pedido estava pronto.

— Phillipa, assim que você solicitou, redigi tudo. Acabei de enviar para o seu e-mail. Agora só falta o seu aval.

Sorri.

— Você é a melhor, doutora Cardoso.

Na minha empresa, noventa por cento dos funcionários são mulheres.

Cresci cercada por machismo e misoginia, por isso sempre coloquei na cabeça que construiria uma empresa formada, em sua maioria, por mulheres.

Isso não significa que sou feminista ou machista.

Apenas quis oferecer oportunidades mais justas para pessoas que, muitas vezes, não as recebem.

Na Sanches Group, mães solo podem levar seus filhos para o trabalho, pois existe uma creche com profissionais qualificados. Também há uma área de descanso com cadeiras de massagem. As colaboradoras não precisam adiar o sonho da maternidade, porque recebem todo o suporte necessário.

Como somente as mulheres sabem o quanto o período menstrual pode ser difícil, disponibilizamos a opção de trabalho remoto durante esses dias.

Quando dizem que isso é feminismo, explico que, para mim, é apenas uma questão de humanismo.

Peguei o notebook, sentei-me na cama, abri o e-mail e li todo o contrato.

Depois de verificar que estava tudo correto, encaminhei o documento para Mandy e pedi que imprimisse duas vias.

Tenho certeza de que, às vezes, minha assistente se pergunta em que tipo de empresa foi parar.

Mais tarde, nos encontramos para almoçar e aproveitamos para relembrar a noite anterior.

Mandy contou que quase enlouqueceu tentando cuidar de três mulheres completamente bêbadas.

Caímos na risada.

— Ainda bem que tínhamos você. — Bia respondeu.

Amanda ficou completamente vermelha.

— Agora prestem atenção no plano para esta noite.

Contei tudo detalhadamente.

As expressões delas variavam entre "não acredito" e "você é completamente maluca".

— Amiga, ainda dá tempo de desistir. — Jú disse e neguei.

— Desistir nunca foi uma opção.

Depois que terminei de explicar cada etapa, voltamos para os quartos para nos arrumar.

À noite, encontrei minhas amigas no saguão do hotel.

Assim que olharam para mim, fizeram uma careta de aprovação.

— Amiga, se eu fosse lésbica, te pegava. — Bia veio com mais uma de suas pérolas.

Revirei os olhos.

— Mesmo se fosse, não me pegaria. Meu negócio é rola.

Bia e Jú caíram na gargalhada.

— Nossas famílias reprovariam completamente esse linguajar. — Jú comentou, ainda rindo.

Dei de ombros.

— Só me importa o que a família Sanches pensa. O que aquele povo da família Vidal acha ou deixa de achar sobre mim não faz a menor diferença.

Amanda chegou alguns minutos depois e avisou que o carro já estava à nossa espera.

Enquanto caminhávamos até a entrada, vários homens nos acompanhavam com os olhos.

— Acho que o nosso look foi aprovado por unanimidade. — Bianca comentou, animada. — Hoje consigo, no mínimo, uns cinco caras.

Se cinco era o mínimo, nem queria imaginar qual seria o máximo.

— Por Zeus! Amiga, minha mãe ligou hoje dizendo que, se você estivesse comigo e com a Phii, ela ficaria tranquila. — Jú respondeu, balançando a cabeça negativamente.

— Menina! A minha falou exatamente a mesma coisa.

— É porque sei disfarçar muito melhor do que vocês. — Bia deu de ombros.

— Sonsa! — Jú e eu respondemos em uníssono.

O trajeto até o cassino foi divertido, alternando conversas sérias com assuntos completamente aleatórios.

Em determinado momento, Bianca quis saber qual seria o tamanho do pau do The Rock.

— E como a gente vai saber uma coisa dessas? — perguntei.

— Fui ao set de filmagem do último filme dele. O homem é uma delícia de músculos. Juro que, se me chamasse, eu dava para ele.

Júlia, Amanda e eu apenas balançamos a cabeça.

— Bia, você é muito piranha. Claro que daria. Lembra quando disse que também daria para o Michelangelo, das Tartarugas Ninja?

— Ah, meninas... vão dizer que vocês também não acham ele bonitinho?

Ela perguntou.

Decidimos não responder.

Quando o carro parou em frente ao cassino, encarei a fachada e uma saudade enorme do meu abuelito apertou o peito.

Foi naquele cassino que ele me levou pela primeira vez, quando eu tinha apenas dezesseis anos.

Olhei para Amanda.

Ela sorriu ao perceber minha expressão de nostalgia.

Descemos do carro e nos preparamos para entrar.

Antes, porém, chamei as duas doidas para uma última orientação. Mandy não precisava ouvir aquilo.

— Prestem atenção. As máquinas caça-níqueis existem apenas para arrancar dinheiro dos trouxas. Se resolverem brincar nelas, não gastem muito. E lembrem-se: isso aqui não é um filme de Hollywood.

Jú e Bia assentiram.

Torcia para que realmente tivessem entendido.

— Agora podem se divertir. Mantenham os celulares por perto. Se encontrarem um alvo que considerem interessante, me avisem imediatamente.

— Boa caçada, amiga! — Jú e Bia disseram em uníssono.

Agradeci às duas e entrei.

Logo na entrada, vários olhares masculinos recaíram sobre mim.

Nenhum chamou minha atenção.

Continuei caminhando pelo salão durante quase trinta minutos, observando discretamente cada mesa.

Foi então que, na mesa número três de pôquer, um homem sentado de costas chamou minha atenção.

Jogava sem medo, com precisão, com uma calma impressionante. Em menos de três minutos, derrotou quatro adversários.

Aproximei-me da mesa, no instante em que nossos olhares se encontraram, tive absoluta certeza.

Era ele.

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