Phillipa Sanches
— Arrumem as malas, suas vadias. Vamos para Las Vegas.
Liguei para as minhas duas melhores amigas e dei a notícia.
— Assim, sem mais nem menos? — uma delas perguntou.
— Depois eu explico. É tudo por minha conta.
— Opa! Minha mala já está pronta. — A outra respondeu entre risos.
Desliguei o celular.
Soltei um longo suspiro e, em seguida, sorri. Se é um marido que meu pai quer que eu arrume, então um marido eu terei. Só que as coisas serão nos meus termos.
Chamei minha secretária e pedi que comprasse quatro passagens de primeira classe para Las Vegas. Também pedi que tudo fosse mantido em absoluto sigilo, pois não queria levantar suspeitas nem do meu pai, nem do meu primo.
— Phillipa, o que você está aprontando agora?
— Você saberá quando chegarmos lá.
Ela me lançou um olhar confuso.
— Como assim?
— Você é minha secretária, então não pode ficar de fora. Amanhã partiremos à noite. Arrume suas malas.
Ela soltou um longo suspiro e apenas assentiu. Sabia que nunca ganhava uma discussão comigo.
Se meu pai acha que vai entregar a minha empresa para o meu primo, está muito enganado.
Enquanto assinava o primeiro relatório do dia, um sorriso satisfeito surgiu em meus lábios.
Mal podia esperar pela surpresa gigantesca que meu pai teria quando eu voltasse daquela viagem.
Horas antes...
Eu estava tranquilamente em meu escritório, tomando minha xícara de café para iniciar o dia, quando Amanda apareceu, seguida pelo meu pai e por Pedro.
— Posso saber o motivo da visita a essa hora da manhã? — perguntei, ainda levando o café aos lábios.
— Não posso fazer uma visita à sua empresa? — A pergunta aparentemente inocente do meu pai escondia muito mais do que deveria.
Amanda olhou para mim, desculpando-se apenas com o olhar, e eu fiz um gesto para que ela se retirasse.
— Conheço muito bem as suas intenções, e elas nunca são das melhores.
— Que bom julgamento você tem de mim. — Ele respondeu.
Revirei os olhos.
— Bom dia, priminha! — disse meu primo.
Revirei os olhos novamente no instante em que ouvi sua voz.
— Meu dia estava ótimo até vocês aparecerem aqui. Digam logo o que querem. Eu não tenho o tempo livre que vocês têm.
Meu pai abriu e fechou a boca algumas vezes, como se procurasse as palavras certas. Então, finalmente, soltou a bomba.
— Acho que seria mais apropriado você abrir mão da presidência da empresa e entregá-la ao seu primo.
Depositei a xícara sobre a mesa com toda a elegância que consegui reunir e o encarei.
— E por que você não abre mão da presidência da sua empresa? Afinal, esta empresa eu construí com as minhas próprias mãos.
— Sim, mas usando o nome e os recursos da família.
— Usei parte da herança da família do meu avô materno, o que não tem absolutamente nada a ver com você. Eu sequer uso o sobrenome Vidal. Uso apenas o sobrenome Sanches. Portanto, você não tem o direito de interferir aqui.
Meu pai retirou uma cópia do testamento do meu avô do bolso e a colocou sobre minha mesa.
A velha chantagem do testamento.
— Aqui diz que você só poderá herdar definitivamente os bens da família Sanches se estiver casada. Enquanto isso, sua mãe e eu temos o direito de tomar decisões sobre o seu patrimônio. — Ele sorriu, convencido da própria vitória.
— Sim, preciso me casar dentro de um ano, mas ainda faltam seis meses. Até lá, continuo perfeitamente capaz de administrar minha fortuna e minha empresa.
— Case-se com Fabrício Avelar. — Meu pai disse.
Sorri.
— Nem pensar. A família Avelar é amiga da sua família. Você acha mesmo que, me casando com alguém daquela família, conseguirá colocar as mãos na herança do meu abuelito? Eu preciso me casar dentro de seis meses, e é exatamente isso que farei.
— Com esse seu gênio difícil, ninguém jamais vai querer se casar com você. Fabrício é a melhor opção.
Olhei para Pedro.
— E você? Está aqui cacarejando por quê? Já falaram o que queriam. Agora podem se retirar, porque eu preciso trabalhar. Afinal, a minha empresa não vai crescer sozinha.
Os dois saíram da sala e, finalmente, consegui respirar um pouco mais aliviada.
Vovô Sanches... por que o senhor foi colocar uma cláusula tão absurda no testamento?
Embora eu soubesse que aquilo era uma forma de me proteger, os tempos eram outros.
Eu não queria cometer o mesmo erro da minha mãe, que se casou com meu pai acreditando que, por pertencerem ao mesmo nível social, as coisas seriam mais fáceis.
Mas mi mamá nunca foi realmente aceita pela família Vidal.
Eles a engoliram.
Passaram por cima dela como um verdadeiro rolo compressor e, desde pequena, tudo o que pude fazer foi assistir àquilo.
Foi por isso que, ainda muito jovem, decidi que jamais permitiria que fizessem comigo o mesmo que fizeram com mi mamá.
Voltei a tomar meu café, que já estava frio.
Foi então que uma ideia completamente maluca surgiu em minha mente.
E, por mais insana que parecesse, daria certo.
Afinal, o Senhor também caminhava ao lado dos loucos.