O dia transcorreu bem, dentro do possível. Resolvi tudo o que precisava resolver e, quando cheguei ao meu apartamento, peguei minhas malas e comecei a arrumá-las. Já estava escolhendo os sapatos que levaria quando a campainha tocou.
Quem será a esta hora?
Assim que abri a porta, minhas amigas apareceram balançando sacolas com petiscos e três garrafas de vinho.
Enquanto dava espaço para que entrassem, encarei as duas.
— Isso tudo é para quê? — perguntei.
As duas reviraram os olhos.
— Você teve um dia de cão hoje de manhã, então viemos trazer um pouco de alegria para você. Agradeça aos céus por ter amigas tão perfeitas quanto nós.
Júlia e Bianca eram minhas amigas desde sempre. Elas sabiam de tudo o que acontecia na minha vida e conheciam bem os embates constantes que eu tinha com meu pai e com Pedro.
— Vocês são as melhores. Eu estava arrumando as malas, mas podemos nos embebedar um pouco antes.
Enquanto Bia abria uma das garrafas de vinho e servia as taças, Júlia e eu organizávamos os petiscos sobre a mesa de centro. Colocamos uma música para tocar e ficamos conversando sobre vários assuntos. Quando contei meus planos para elas, as duas me encararam como se eu tivesse enlouquecido.
— Amiga, tem certeza de que isso vai funcionar? — Bia perguntou, preocupada.
— Relaxa. Sou uma boa domadora.
— Ai, amiga... isso é uma loucura. Por que você não entrega logo a empresa para o seu primo deixar falir e depois constrói outra? Uma versão 2.0 ou até 3.0?
— Porque essa empresa foi construída pelas minhas próprias mãos, com o dinheiro da família da minha mãe, e não com o dinheiro da família do meu pai, que, aliás, eu nunca nem vi a cor.
— Eu só tenho medo de você cair nas mãos de algum golpista vagabundo.
— Como eu já disse, sei exatamente o que estou fazendo.
— Bom, já que sabe, nós duas vamos te apoiar.
Minhas amigas eram um dos maiores presentes que a vida havia me dado. Fazíamos tudo juntas e, sempre que uma estava em algum perrengue, as outras apareciam para ajudar. Esse tipo de amizade é raro de encontrar e, quando acontece, deve ser protegido.
Bebemos, brincamos e nos divertimos durante horas. No fim da noite, estávamos esparramadas pelo chão do meu apartamento, completamente alteradas, falando coisa com coisa.
A semana passou em um piscar de olhos e, finalmente, chegou o dia da nossa viagem. Eu precisava resolver tudo em apenas um fim de semana.
Quando cheguei ao aeroporto, minhas amigas já estavam à minha espera. Não demorou muito para que minha secretária também chegasse e fôssemos fazer o check-in.
Já dentro do avião, começamos a beber tequila. Ofereci um shot para Mandy, mas minha secretária disse que precisava se manter sóbria. Expliquei que, embora ela fosse minha secretária, aquela não era uma viagem de trabalho. Mesmo assim, ela preferiu não beber.
Dei de ombros e virei tantos shots que perdi a conta.
— Amiga, Las Vegas vai ser surreal. — Bia comentou.
Assenti.
— O que acontece em Vegas fica em Vegas.
Brindamos mais uma vez e voltamos a beber. Algumas horas depois, finalmente desembarcamos em Las Vegas.
Pegamos um táxi e seguimos para o hotel, que ficava próximo aos cassinos mais famosos da cidade. Quando fomos fazer o check-in, minhas amigas reclamaram por não estarmos no mesmo quarto.
— Estão reclamando porque ganharam um quarto para cada uma? Da próxima vez peço um quarto compartilhado. Aí, quando quiserem dar uma escapada com algum cara, vou assistir de camarote.
Soltei uma gargalhada enquanto pegávamos as chaves dos quartos.
— Phillipa! Por que eu não vou ficar no mesmo quarto que você? — Amanda perguntou.
— Mandy, eu preciso de privacidade. E, como já te disse, não viemos aqui a trabalho. Espero nem precisar de você, mas, se precisar, aviso.
Ela apenas assentiu.
Depois de nos instalarmos, avisei às minhas amigas que, dentro de uma hora, deveríamos sair para beber. As meninas logo se animaram. Queria esfriar a cabeça e me divertir com elas antes de iniciar a grande "caçada".
Estava prestes a tomar banho quando meu celular tocou. Olhei para o visor e vi o nome da minha mãe piscando na tela. Atendi rapidamente.
— ¡Hola, mamá!
Ouvi o sorriso dela do outro lado da linha. Minha mãe adorava quando conversávamos em espanhol, para o desespero do meu pai.
— ¡Hola, mi hija! ¿Dónde estás? — perguntou.
Respirei fundo.
Minha mãe era minha maior apoiadora, mas eu sabia que ela jamais aprovaria a decisão que tomei de procurar um marido em um cassino.
— Estou em uma viagem com as meninas para esfriar a cabeça. — Omiti parte da verdade.
— Está bem, mi hija. Não direi nada ao seu pai. ¡Que Nuestra Señora de Guadalupe te proteja! E, por favor, tenha juízo. Não faça nada que possa prejudicá-la.
Agradeci a mi mamá e me despedi dela.
O que será que ela diria se soubesse o verdadeiro motivo que me trouxe até Las Vegas?