Marcelo tinha oito anos quando aprendeu que o silêncio pode ser uma forma de sobrevivência.
Não era uma lição que alguém havia lhe ensinado com palavras. Foi o tipo de coisa que o corpo descobre sozinho — quando você percebe que não é o tipo de criança que o mundo nota com facilidade, e que chamar atenção costuma custar mais do que vale. Então você aprende a ficar quieto. A observar. A ocupar o mínimo de espaço possível e torcer para que o mínimo seja suficiente.
O banco de madeira no canto do