Vênus
Acordei devagar, como se estivesse subindo de um poço escuro e viscoso. Tudo estava turvo. A cabeça pesada, o corpo dolorido, a garganta ardendo. Pisquei várias vezes, tentando focar a visão. O quarto estava escuro, só uma luz fraca vindo de um canto. O cheiro de antisséptico e fumaça ainda impregnava o ar.
Virei a cabeça para o lado e dei de cara com ela.
Lívia.
Sentada ao lado da maca, com as pernas cruzadas, me observando como um predador que espera a presa acordar. Um sorriso lento e