Capítulo 126. Questões impossíveis
"Augusto"
Eu ainda estava com as mãos cerradas quando ouvi a porta do escritório se abrir.
Meu pai e eu estávamos em guerra. Cada frase era um ataque direto. Eu já não sabia há quanto tempo gritava; só tinha certeza de uma coisa, se ficasse mais um minuto ali, faria algo irreversível.
— Chega.
A voz de César cortou o ar. Meu irmão entrou na sala encarando nosso pai. Não perguntou o que estava acontecendo. Não precisava. O clima dizia tudo. Meu pai permaneceu imóvel, me observando como sempre fazia quando acreditava que ainda tinha controle da situação.
— Sai, César — rosnei. — Isso não é assunto seu.
— É sim — ele respondeu, calmo. — No momento em que vocês dois gritam o suficiente para serem ouvidos do andar de baixo, passa a ser assunto meu.
Meu pai abriu a boca para falar, mas César ergueu a mão, num gesto raro. Ele quase nunca o enfrentava.
— Não agora.
Depois, olhou para mim.
— Augusto, olha pra você.
Respirei fundo, sentindo o sangue pulsar nos ouvidos.
— Ele armou tudo — falei.