CAPÍTULO 101 — O PRESENTE.

O edifício era menor do que a sede da Montenegro Corp. Não havia o brilho ostensivo, nem o silêncio reverente que ela aprendera a reconhecer nos espaços de Rafael. Ali, tudo parecia funcional demais. Prático. Um poder que não precisava ser exibido — mas que também não inspirava respeito imediato.

Ela ajeitou a bolsa no antebraço e caminhou até a recepção.

— Bom dia. — disse, com educação tranquila. — Gostaria de falar com o senhor Enzo Montenegro.

A mulher atrás do balcão não levantou os olhos de imediato. Continuou digitando, unhas longas batendo no teclado como se Valentina fosse apenas ruído ambiente.

— Hora marcada? — perguntou, seca.

— Não. — Valentina respondeu. — Mas é rápido. Se puder interfonar…

A recepcionista finalmente ergueu o olhar.

E avaliou.

Não foi curiosidade.

Foi desprezo treinado.

— Sem hora marcada, não entra. — disse, cruzando os braços. — Aqui não é salão de beleza nem porta de fundo para quem acha que pode subir na vida se apresentando como “conhecida do patrão
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