KATHERINE SALLES - CAPÍTULO 00146
O carro se afastava lentamente da casa dos meus pais, conforme eu o observava pelo vidro embaçado, sentindo o peso das palavras que ainda ecoavam na minha cabeça.
A tarde estava clara, quente, o sol filtrava-se pelas árvores e fazia pequenas manchas douradas dançarem no banco de trás do carro.
O motorista do Uber ligou o rádio num volume baixo — uma música suave, instrumental — e eu deixei que aquele som me embalasse enquanto recostava a cabeça no vidro.