Clac! Clac! Clac!
O som dos sapatos sociais batendo apressadamente contra o luxuoso piso de azulejos ecoava pelo corredor.
Alice Burrell, conhecida por todos simplesmente como Alice, acelerou o passo ao sair do elevador no 29º andar de um condomínio extremamente luxuoso no coração da capital.
Seu uniforme universitário estava impecavelmente passado, e sua saia evasê balançava a cada passo apressado. Era uma jovem de rosto delicado e encantador, mas sua expressão estava carregada de tristeza e sua mente, de preocupação. Uma das mãos segurava com força sua bolsa a tiracolo, enquanto a outra segurava um envelope pardo, ligeiramente amassado na ponta.
Ela parou, recuperando o fôlego diante do Apartamento 2905.
Respirando fundo, ergueu a mão e bateu três vezes na porta.
Toc, toc, toc.
A fechadura fez um clique antes de a porta se abrir lentamente.
Parada ali estava uma mulher alta e esbelta, com traços marcantes e definidos. Ela vestia roupas casuais de grife e, mesmo sem maquiagem, tinha o rosto praticamente impecável.
— Alice — disse Aileen, com a voz carregada de surpresa e um leve aborrecimento.
— O que você está fazendo aqui?
A expressão de Alice desabou. Seus olhos se encheram de tristeza enquanto olhava para a irmã mais velha.
— Posso entrar e conversar com você? Só por um momento.
Aileen hesitou por um segundo antes de se afastar para deixá-la entrar.
O espaçoso apartamento era decorado em estilo moderno, adornado em tons de creme-dourado e marrom-escuro. Tudo parecia estranhamente silencioso.
Alice entrou e se sentou rigidamente no sofá no centro da sala, apertando nervosamente a alça da bolsa entre os dedos.
— Preciso da sua ajuda com uma coisa — disse baixinho, sem conseguir encarar a irmã.
— É sobre as despesas médicas da mamãe.
A sala mergulhou em um silêncio absoluto, a ponto de ser possível ouvir claramente o tique-taque ritmado do relógio na parede.
Aileen apoiou os braços no balcão da cozinha, tomou um gole de uma garrafa de água mineral e respondeu de maneira objetiva:
— Achei que já tivéssemos conversado sobre isso. Não vou me envolver mais nos seus problemas nem nos da mamãe — disse Aileen friamente, fazendo Alice morder o lábio com força.
— Eu sei que você está furiosa com a mamãe, mas eu realmente não tenho mais ninguém a quem recorrer. Você sabe que a mamãe ficou doente, e as despesas médicas são muito mais do que eu consigo pagar sozinha.
A voz de Alice tremia. Dessa vez, ela realmente estava sem saída. Por isso, precisou engolir o orgulho e implorar à irmã mais velha, que havia jurado nunca mais ter nada a ver com ela e a mãe. Tudo porque, quando os pais se separaram, a mãe havia deixado Aileen com o pai e levado apenas Alice consigo.
— Isso é problema seu — interrompeu Aileen, com o olhar se tornando gélido.
Alice ficou em silêncio imediatamente. Ela sabia muito bem o quanto a irmã ressentia a mãe. Até mesmo durante entrevistas de emprego ou aparições na mídia, Aileen nunca mencionava a mãe ou a irmã mais nova e, da mesma forma, a mãe nunca falava sobre o pai. Desde aquele dia fatídico em que tudo desmoronou e seus pais se separaram, tudo o que restava eram os ecos de duas garotinhas chorando pela família destruída.
— Mas você também é filha da mamãe. Por que não vai ajudar? Ou está esperando que algo ainda pior aconteça com ela?
Sua voz tremia levemente, e seus olhos ficaram vermelhos.
Aileen se virou.
O olhar em seus olhos não era apenas frio, era distante, como se duas pessoas estivessem em extremos opostos do planeta.
— Porque a mamãe escolheu você, Alice. Eu não faço parte daquela família há muito tempo.
Alice congelou, sentindo como se tivesse levado um tapa no rosto.
— Mas a mamãe e eu nunca pensamos assim! Ela fala de você o tempo todo. Assiste às suas novelas, acompanha tudo o que você faz, elogia você todos os dias... hic!
Alice engoliu o soluço enquanto as lágrimas começavam a se acumular em seus olhos.
Aileen suspirou, pegou uma pequena bolsa e a colocou sobre a mesa.
— Tem uma quantia em dinheiro aqui. Só posso dar isso a você desta vez, mas depois disso, nunca mais venha falar comigo sobre a mamãe. Na verdade, seria muito melhor se você também não viesse mais me ver. Não quero que ninguém saiba que tenho uma mãe e uma irmã.
Alice não estendeu a mão para aceitar a bolsa imediatamente.
Ela olhou para a irmã mais velha, alguém que costumava ser seu ídolo e a pessoa que ela sempre quis seguir, mas já não havia mais nenhum calor de irmandade entre elas.
Levantou-se devagar e assentiu levemente.
— Entendo. Obrigada pela sua generosidade. Assim que me formar, vou trabalhar para devolver o dinheiro o mais rápido possível.
— Não precisa. Considere isso o preço da minha paz e tranquilidade.
Aileen falou sem qualquer sentimento, desviando o olhar para a vista da cidade do lado de fora da janela.
— Entendido... Não vou mais incomodá-la. Esta será a última vez.
Alice apertou a pequena bolsa com força. Naquele momento, o orgulho não significava nada diante da vida de sua mãe. Ela foi embora sem olhar para trás.
Bzzz... Bzzz...
— Sim, tia?
— Alice!! O médico disse que já está na hora de pagar as despesas médicas da Piper. Onde você está? Conseguiu arrumar o dinheiro? Sua irmã emprestou para você?
Alice enxugou rapidamente as lágrimas em silêncio, mal conseguindo conter os soluços. Precisou afastar o telefone do rosto, com medo de que a tia Pearl a ouvisse chorando.
— Snif... snif...
— Alice!! Você está me ouvindo?
— Sim, estou ouvindo, tia. A Aileen me deu o dinheiro. Estou a caminho agora... Por favor, não conte para a mamãe que peguei dinheiro emprestado com a Aileen.
Ela sabia muito bem que sua mãe ficaria furiosa. Só o fato de ter deixado a irmã mais velha para trás com o pai e levado apenas Alice consigo já fazia sua mãe sentir uma enorme culpa em relação a Aileen.
— Eu sei. Apenas volte logo e pague as despesas médicas.
— Está bem.
Alice concordou rapidamente antes de seguir direto para o hospital.