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Cada ato tem suas consequências
Cada ato tem suas consequências
Por: D@NY
Capítulo 1: A Bagagem dos Dezesseis e o Abrigo da vó

A mala que levei comigo na noite em que saí da casa da minha mãe pesava muito menos do que os meus sonhos. Aos dezesseis anos, eu não tinha medo do mundo porque ainda não o conhecia de verdade. Eu achava que sabia tudo sobre o amor, sobre a vida e sobre o futuro. Olhando para Henrique, que segurava a minha mão, eu tinha a certeza de que aquela era a minha passagem de ida para a felicidade. Bater aquela porta atrás de mim foi o ato mais corajoso e, ao mesmo tempo, mais inconsequente da minha juventude. Eu, Daniele, estava trocando o teto seguro da infância pela promessa de uma vida a dois. Mas a ilusão do primeiro amor com Henrique durou pouco, e o que deveria ser um recomeço virou um pesadelo silencioso. Foram três anos vivendo sob o mesmo teto que o meu agressor. Conheci a dor implacável de apanhar de quem deveria me proteger, uma violência cruel que não poupou nem mesmo o período em que eu estava grávida. Segurar meu primeiro filho, nos braços me transformou de menina em mulher em um piscar de olhos, trazendo o medo constante de que algo acontecesse com ele. Aos dezenove anos, quando meu filho tinha apenas um ano e oito meses, olhei para aquela situação e encontrei uma força que nem sabia que existia em mim. Eu entendi que precisava salvar a nossa vida. Peguei meu menino e larguei Henrique para trás, quebrando aquele ciclo de agressões. A separação me deixou livre da violência física, mas com os braços cheios e o coração completamente quebrado. Eu estava sozinha no mundo. Fugir da violência foi apenas o primeiro passo; sobreviver ao pós-trauma era o verdadeiro desafio. Sem eira nem beira, procurei o único porto seguro que me restava: a casa da minha vó, em outra cidade. Mudar de cenário era uma necessidade para nos manter seguros, longe dos olhos de quem tanto me fez mal. Minha vó nos acolheu com o amor e a proteção que eu tanto precisava. Mas o medo que a violência deixa na alma não some com a mudança de endereço. Por meses, eu simplesmente não saía de casa. O mundo lá fora parecia perigoso demais. Minha rotina resumia-se a cuidar do meu filho e me esconder entre as quatro paredes daquele lar. Até que, em um dia comum, minha vó sentou-se ao meu lado. Com a sabedoria que só o tempo traz, ela me olhou nos olhos e me aconselhou a sair, ver o sol e conhecer pessoas novas. Ela não queria me ver trancada. O conselho dela ecoou na minha mente, e eu decidi tentar. Comecei a sair e conheci várias pessoas, mas algo profundo dentro de mim havia mudado. Eu fui criada na igreja desde pequena, aprendendo sobre amor, respeito e proteção. Ver tudo aquilo ser destruído por três anos de agressões gerou uma revolta gigante no meu peito. Fiquei com tanta raiva do amor. Sentia uma decepção profunda com a vida. Por mais que eu conhecesse pessoas novas e conversasse, nada me fazia ter outro relacionamento. Meu coração estava trancado por uma armadura de mágoa.

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