ANALU
A luz da manhã entrou suave pelo único janelão do quarto, pintando listras douradas na poeira que dançava no ar. Acordei devagar, meu corpo, um misto de peso e leveza — peso dos músculos cansados, leveza de uma alma que, pela primeira vez em meses, não carregava o fardo da expectativa alheia.
O cheiro dele ainda estava em mim, na minha pele, misturado com o suor seco e o aroma do sabonete barato que usamos no banho na noite anterior.
O banho.
Lembrei com um sorriso.
Como ele me lavou com uma reverência que contrastava com a fúria com que me possuía horas antes. Suas mãos, tão ásperas e capazes de tanta aspereza, deslizando pelo meu corpo com uma doçura que me fez chorar, escondendo o rosto no seu peito molhado. A água escorrendo, levando embora o perfume caro que eu usava, o creme do cabelo, a maquiagem.
Deixando apenas eu.
Analu.
Nua e verdadeira diante dele.
Depois, pedimos pizza.
Comemos na cama, ainda de toalhas enroladas no corpo, rindo como adolescentes. Eu disse, c