Mundo de ficçãoIniciar sessãoA QUEDA DE OFÉLIA
O presídio feminino tinha um cheiro que grudava na pele — ferro oxidado, água parada e histórias malditas que ninguém ousava contar em voz alta. Era um universo onde a esperança morria antes de atravessar o portão principal. Cada passo ecoava como se o próprio prédio observasse, faminto.Ofélia entrou tentando manter a compostura de sempre: ombros erguidos, queixo empinado, um ar de superioridade que ela vestira a vida inteira como uma segunda pele. Mas ali, aquele olhar soberbo não tinha valor algum. Ali dentro, soberba era convite para caçar.Os murmúrios começaram assim que ela passou.— É a novata.— Cara de rica.— Vamos ver quanto tempo dura.Mas o silêncio caiu de repente, como se alguém tivesse desligado o mundo.Porque no fim do corredor vinha ela.Darlene “A Mão Fria” Vasconcellos.A mulher que até as carcereiras evitavam irritar.O tipo de criminosa que carrega






