Capítulo 04

Capítulo 4 — A Mulher Que Não Tentou Impressioná-lo

Olívia já estava cansada antes mesmo do evento começar.

O salto machucava seus pés, sua cabeça doía desde o início da tarde e o simples pensamento de passar mais algumas horas cercada por empresários ricos fingindo simpatia fazia ela querer voltar imediatamente para casa. Ainda assim, permaneceu parada diante do espelho pequeno do banheiro do hotel Lancaster tentando organizar os próprios pensamentos enquanto ajustava alguns fios soltos do cabelo ruivo.

Precisava daquele trabalho.

Era isso que repetia para si mesma o tempo inteiro.

Precisava do salário.

Precisava pagar o aluguel.

Precisava sobreviver em Londres.

Então respirou fundo, pegou a prancheta de organização do evento e saiu novamente para o caos elegante do salão principal.

O hotel estava absurdamente movimentado naquela noite. Garçons atravessavam o ambiente carregando bandejas de champagne enquanto investidores importantes circulavam entre mesas luxuosas discutindo negócios milionários como se aquilo fosse absolutamente comum. O som de conversas misturado à música sofisticada deixava tudo ainda mais cansativo.

Olívia caminhava rapidamente entre os funcionários verificando detalhes da organização quando percebeu um dos rapazes da equipe praticamente em pânico perto da recepção secundária.

— O que aconteceu? — perguntou imediatamente.

O funcionário passou a mão nervosamente pela testa.

— Trocaram os nomes das mesas dos investidores japoneses. Eles vão entrar em menos de quinze minutos.

Perfeito.

Era exatamente o tipo de problema que poderia transformar a noite inteira num desastre.

Olívia fechou os olhos por um segundo antes de puxar a lista de organização das mãos dele.

— Certo. Respira. Onde estão os cartões corretos?

— Na sala de apoio, mas—

— Então pega agora. Eu reorganizo aqui.

O rapaz praticamente saiu correndo enquanto ela começava a mover discretamente alguns cartões das mesas tentando resolver o problema antes que os convidados importantes percebessem qualquer erro.

Ela estava tão concentrada naquilo que não percebeu imediatamente quando parte do ambiente ao redor ficou mais silenciosa.

Mas percebeu os olhares.

Funcionários se ajeitando.

Algumas mulheres cochichando.

Executivos mudando instantaneamente de postura.

Olívia ergueu os olhos por reflexo.

E viu ele.

Roman Villar atravessava o salão acompanhado por alguns empresários e um homem usando terno escuro que ela imaginou ser advogado ou assessor. Alto, postura impecável, expressão fria o suficiente para fazer qualquer ambiente parecer menor.

Ela reconheceu o rosto imediatamente.

Difícil não reconhecer.

Nas últimas semanas, Roman aparecia em praticamente todos os portais financeiros e sites empresariais de Londres. O CEO arrogante. O empresário emocionalmente inacessível. O homem que parecia transformar qualquer relacionamento em desastre público.

Sinceramente?

Ele parecia exatamente o tipo de homem que destruía alguém sem nem perceber.

Mas Olívia não teve muito tempo para prestar atenção na presença dele.

Porque o funcionário voltou quase desesperado com os cartões corretos nas mãos.

— Desculpa, eu realmente achei que—

— Depois você entra em crise — ela interrompeu calmamente enquanto reorganizava as mesas. — Agora me ajuda antes que os convidados cheguem.

O rapaz assentiu rapidamente.

Ela continuou trabalhando sem perceber que, a poucos metros dali, Roman observava a cena discretamente.

Não por muito tempo.

Mas o suficiente para notar algumas coisas.

Ela não parecia nervosa.

Não tentava chamar atenção.

E claramente não estava impressionada pela presença dele como praticamente todo mundo naquele salão costumava ficar.

Na verdade, Olívia parecia cansada demais para se importar.

Aquilo causou uma curiosidade estranha nele.

Porque quase sempre as pessoas olhavam para Roman Villar esperando alguma coisa.

Admiração.

Status.

Interesse.

Mas aquela mulher apenas resolveu um problema e continuou trabalhando.

Como se ele fosse irrelevante.

Por alguns segundos, os olhos dos dois se encontraram.

Nada intenso.

Nada cinematográfico.

Só um olhar rápido.

Olívia sustentou o contato por um instante curto antes de voltar imediatamente para o que estava fazendo.

E aquilo, de alguma forma, chamou atenção dele mais do que deveria.

Roman desviou o olhar logo em seguida ao ser interrompido por um dos investidores japoneses que se aproximava.

O momento acabou ali.

Simples assim.

Mas enquanto caminhava novamente pelo salão ouvindo conversas sobre negócios milionários, parte da atenção dele ainda permanecia presa naquela mulher ruiva organizando o caos como se estivesse cansada demais da vida para se impressionar com qualquer pessoa.


Quase duas horas depois, o evento finalmente começava a desacelerar.

Olívia sentia os pés queimando de dor enquanto recolhia algumas anotações espalhadas sobre uma das mesas de apoio. Seu corpo inteiro parecia exausto. Trabalhar em eventos daquele tamanho sempre consumia cada gota de energia dela.

— Você vai sair depois daqui? — perguntou Emma, outra funcionária da organização.

Olívia soltou uma risada fraca.

— Minha cama é o compromisso mais sério da minha vida hoje.

Emma riu.

— Você tá acabada.

Ela realmente estava.

Nos últimos meses, parecia viver cansada o tempo inteiro. Cansada fisicamente, emocionalmente e mentalmente. Como se a vida estivesse exigindo mais dela do que conseguia entregar.

Olívia pegou o celular rapidamente para verificar as horas.

E imediatamente sentiu o estômago apertar ao ver outra notificação da proprietária do apartamento.

Seu sorriso desapareceu na mesma hora.

“Precisamos conversar sobre o aluguel.”

Ótimo.

Perfeito.

Exatamente o que faltava naquela noite.

Ela guardou o aparelho rapidamente antes que Emma percebesse a mudança em sua expressão.

— Tá tudo bem? — a amiga perguntou.

Olívia forçou um sorriso pequeno.

— Só cansaço.

Mentira.

Mas já estava acostumada a mentir dizendo que estava tudo bem quando claramente não estava.

Enquanto recolhia as últimas coisas da mesa, ela não percebeu que, do outro lado do salão, Roman ainda observava discretamente parte do movimento ao redor.

E entre dezenas de pessoas tentando chamar sua atenção naquela noite…

a única que realmente permaneceu na cabeça dele foi justamente a mulher que sequer tentou impressioná-lo.

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