O Preço do Orgulho

A noite na minha cobertura em Tribeca foi longa e sufocante. O banho gelado ajudou a acalmar o calor na minha pele, mas não apagou a imagem de Alice da minha mente. Sentado na poltrona da sala escura, balancei o copo de uísque, ouvindo o gelo estalar enquanto olhava o horizonte de Manhattan. Meu corpo ainda guardava a memória daquela tensão rústica que me atingiu na sala de reuniões. Eu estava obstinado. Dormi poucas horas, acordando antes do despertador com a mandíbula travada, pronto para o embate.

Na terça-feira de manhã, cheguei à Construtora Vance antes das sete. Tomei três xícaras de café preto puro e me tranquei na sala, encarando a papelada sem realmente ler nada. O prazo que dei a ela estava se esgotando.

Às nove em ponto, duas batidas firmes soaram na porta.

— Entre — comandei, endireitando a postura na cadeira.

A porta se abriu e Alice passou por ela. Hoje, o rabo de cavalo estava ligeiramente mais baixo, e ela usava uma camisa de botões azul-clara que acentuava a brancura da sua pele. Os óculos de armação fina estavam bem ajustados no nariz. Ela fechou a porta atrás de si e caminhou até a minha mesa com passos decididos, parando diante da poltrona. Havia uma névoa de cansaço ao redor dos seus olhos castanhos, mas a postura continuava absurdamente ereta.

— Pensei que não viria — comentei, indicando a cadeira para que ela se sentasse.

Alice não se sentou de imediato. Ela apoiou as mãos espalmadas no encosto de couro, fixando o olhar diretamente no meu. O perfume de baunilha dela viajou pelo ar, e senti meu membro dar um leve sinal de vida dentro da calça, uma reação automática que reprimi imediatamente.

— Antes de qualquer assinatura ou de ler esse papel, preciso fixar os meus limites, senhor Vance — a voz dela saiu limpa, sem tremer. — Preciso saber se minha vida pessoal continuaria sendo minha. Sem ter que dar satisfação para onde vou ou com quem estou, desde que, claro, não saia em nenhuma manchete ou cause problemas para a imagem da sua empresa.

Apoiei os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos e sustentando o olhar desafiador dela.

— O contrato prevê total liberdade individual, Alice. Eu não dou satisfações da minha vida e não espero que você me dê as suas. A única exigência é a discrição absoluta. Fora dos eventos públicos e dos jantares com a minha família, você é dona do seu próprio nariz. Não sou seu dono, sou seu sócio nesse negócio.

Ela soltou o ar devagar, os ombros relaxando minimamente. Finalmente, ela contornou a cadeira e se sentou, cruzando as pernas. O tecido da calça de alfaiataria se moldou à sua bunda grande, e precisei desviar o olhar por um segundo para manter o foco.

— Ótimo — ela disse, ajeitando os óculos.

Puxei a pasta preta de dentro da gaveta e a deslizei pela mesa de mogno, deixando-a bem na frente dela junto com uma caneta pesada. Antes que ela pegasse o objeto, curvei-me um pouco mais para a frente.

— O que a fez mudar de ideia tão rápido? Ontem você parecia pronta para me processar.

Alice encarou o documento por alguns instantes. As pintas no canto da boca e no pescoço pareceram se contrair quando ela engoliu em seco. Ela ergueu os olhos para mim, exibindo uma honestidade crua que me pegou desprevenido.

— Eu ainda acho isso uma ideia absurda e um desrespeito enorme, senhor Vance — disparou, sem meias palavras. — Mas eu tenho problemas reais no mundo real. Problemas que eu não posso me dar ao luxo de ignorar apenas por orgulho. O senhor tem o dinheiro, eu tenho a urgência. É apenas isso.

Um sorriso de canto quase escapou dos meus lábios. Eu gostava daquela audácia. Ela não estava ali se humilhando; estava negociando.

— Justo — respondi. — Assine na última página e coloque suas iniciais nas margens. O Eduardo já foi instruído. Assim que o contrato for arquivado no cofre do escritório dele, metade do valor estipulado vai ser depositado na sua conta corrente. A outra metade será paga no dia do divórcio, daqui a dois anos. O financiamento da sua faculdade será quitado integralmente ainda hoje.

Alice pegou a caneta. Suas mãos hesitaram por apenas dois segundos acima da linha pontilhada. Então, com traços firmes e rápidos, ela assinou o nome completo. O som da ponta da caneta arranhando o papel grosso foi o único ruído na sala. Ela folheou as páginas anteriores, rubricando cada uma delas com precisão, e empurrou a pasta de volta para mim.

— O que acontece agora? — ela perguntou, juntando as mãos no colo.

— Agora você volta para o seu setor e trabalha o resto do dia normalmente — falei, guardando a pasta na gaveta secreta da mesa. — Não mude nada na sua rotina. No final da tarde, o Eduardo vai formalizar a sua transferência de cargo. A partir de amanhã, você não é mais secretária do diretor administrativo. Você passa a ser minha assistente pessoal executiva. Isso vai justificar o tempo que passaremos juntos e a nossa aproximação repentina para o restante da empresa.

Alice assentiu, levantando-se da poltrona.

— Entendido, senhor Vance. Com licença.

— Alice — chamei, antes que ela chegasse à porta. Ela parou e olhou sobre o ombro. — A partir de amanhã, quando estivermos sozinhos, pode me chamar apenas de Ethan. Precisamos nos acostumar com isso.

— Até amanhã, Ethan — ela respondeu, a voz num tom baixo que reverberou direto no meu estômago, antes de sair e fechar a porta.

O restante do meu dia correu em uma velocidade avassaladora, mas com um peso a menos nos meus ombros. Liguei para Eduardo imediatamente após a saída dela.

— Está feito. Ela assinou — avisei assim que ele atendeu. — Movimente os fundos. Quero a conta dela abastecida e os débitos estudantis zerados antes do almoço. E prepare a transferência dela para o meu gabinete.

— Você j**a pesado, Ethan — Eduardo comentou do outro lado da linha, soltando um assobio impressionado. — Vou providenciar tudo. Mas se prepare, porque o anúncio dessa nova assistente vai levantar sobrancelhas no andar da diretoria.

Passei a tarde em reuniões estratégicas com investidores alemães, discutindo a compra de um terreno na área portuária. Dessa vez, consegui me focar nos números, sabendo que a ameaça do meu primo Richard estava temporariamente sob xeque. No entanto, sempre que o corredor do meu andar ficava silencioso, a lembrança do perfume de baunilha e da firmeza daquela garota voltava a rondar meus pensamentos.

Ela achava que era apenas um negócio. Eu também precisava acreditar que era. Mas a verdade é que o meu corpo ainda ardia com o desafio que ela havia deixado no ar.

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