A porta de jacarandá bateu com um clique seco, ecoando no silêncio que se instalou no meu escritório. O perfume dela — aquela mistura sutil de baunilha com o cheiro da própria pele — ainda flutuava no ar, agindo como um combustível maldito para o calor que continuava concentrado na minha calça.
Soltei o ar que nem percebi que prendia e me joguei de volta na cadeira de couro. Meu membro continuava rígido, pulsando contra o tecido apertado, uma reação física ridícula e violenta que eu não conseguia domar. Passei as mãos pelo rosto, sentindo a aspereza da barba por fazer. Aquela garota baixa, com seus óculos de grau e sua postura defensiva, tinha acabado de me dar um não na cara sem piscar. E, de alguma forma p0rra, aquilo só fez o meu sangue correr ainda mais rápido. A audácia dela, o fogo nos olhos castanhos quando me acusou de tentar comprar sua dignidade, mexeram com cada fibra do meu corpo.
Apertei o botão do interfone na mesa.
— Katherine, não me passe ligação nenhuma pelas próximas duas horas. E peça para o Eduardo voltar à minha sala.
— Sim, senhor Vance — a voz da secretária respondeu prontamente.
Menos de três minutos depois, Eduardo entrou. Ele nem precisou perguntar nada; bastou olhar para a minha cara para decifrar o cenário. Ele fechou a porta, caminhou até a mesa e cruzou os braços, soltando uma risada anasalada cheia de deboche.
— Pela sua cara de poucos amigos, o plano infalível acabou de naufragar antes mesmo de sair do porto. Ela recusou, não foi?
— Ela achou que eu estava propondo um serviço de acompanhante — respondi, a voz mais grave do que o normal, enquanto tentava discretamente mudar de posição na cadeira para aliviar o aperto no meu pau, que se recusava a ceder. — Ficou furiosa. Disse que não se vende por dinheiro e saiu batendo a porta.
Eduardo puxou a cadeira e se sentou, adotando um tom mais sério.
— Eu te avisei, Ethan. Você achou que era só jogar um punhado de milhões na mesa e qualquer um aceitaria fazer o papel de noiva perfeita. A Alice não é o tipo de garota que vive deslumbrada com a Times Square ou com as vitrines da Quinta Avenida. O pai dela é um homem honrado, um trabalhador antigo que ajudou a erguer metade dos contratos da prefeitura. Ela foi criada com valores rígidos. Se você achou que ia ser fácil, começou errando feio. E agora? Qual é o plano B? O Richard já agendou uma reunião com dois acionistas majoritários para o final da semana. O tempo está correndo contra você.
— Não tem plano B, Eduardo — falei, fixando meus olhos nos dele. — O plano continua sendo a Alice. Ela só precisa de tempo para processar o tamanho da oportunidade. Ninguém recusa dois milhões de dólares sem pensar duas vezes quando chega em casa e olha para os boletos acumulados.
— Você está esticando uma corda perigosa, cara — Eduardo alertou, levantando-se. — Se ela resolver ir ao departamento de Recursos Humanos e abrir a boca sobre essa proposta, você vai ter um escândalo de assédio nas mãos antes mesmo de o Richard tentar puxar o seu tapete.
— Ela não vai fazer isso. Ela tem orgulho demais para se fazer de vítima. Ela preferiu me enfrentar cara a cara — retruquei, lembrando da firmeza dos seios pequenos dela subindo e descendo com a respiração acelerada. — Deixe o contrato pronto na minha gaveta. Ela tem até amanhã de manhã.
Quando Eduardo saiu, passei o restante da tarde imerso em planilhas, mas a produtividade foi zero. Meus olhos teimavam em se desviar para a gaveta onde o documento blindado estava guardado. A imagem de Alice, com a calça de alfaiataria desenhando aquela bunda imensa enquanto caminhava até a saída, estava cravada na minha mente.
O expediente terminou e Manhattan foi engolida pela noite, transformando-se em um mar de luzes neon e faróis de carros. Saí da empresa por volta das oito da noite. Meu motorista tentou puxar assunto sobre o trânsito na saída do túnel, mas eu apenas encostei a cabeça no banco de couro do sedã preto e fechei os olhos. O cansaço era mental, misturado a uma tensão física que eu pretendia resolver assim que chegasse à minha cobertura em Tribeca. Eu precisava de um banho gelado e de uma dose dupla de uísque para tirar aquela secretária da porr* da minha cabeça.
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Enquanto isso, do outro lado do East River, a realidade corria em um ritmo completamente diferente.
O apartamento de Alice no Queens era pequeno, mas aconchegante. O som do metrô passando nos trilhos elevados a algumas quadras de distância era o ruído de fundo constante. Ela entrou em casa, jogou a bolsa de lado e tirou os sapatos de salto baixo, soltando um suspiro longo. Seus pés doíam, mas a verdadeira dor estava na sua cabeça.
Ela caminhou até a cozinha americana, apoiando as mãos na bancada de fórmica. Seus dedos ainda tremiam levemente, uma mistura de adrenalina e a indignação que havia engolido no escritório do CEO. Ethan Vance era um homem intimidador — alto, com ombros largos que pareciam ocupar todo o espaço daquela sala monumental, e um olhar escuro que parecia enxergar através dela. A presença física dele tinha causado um arrepio estranho na sua espinha, algo que ela tentou enterrar sob sua camada de puro orgulho profissional.
— Quem ele pensa que é? — Alice sussurrou para si mesma, tirando os óculos e esfregando os olhos. — Só porque tem metade dos prédios de Manhattan no nome acha que pode comprar a vida de alguém? Um casamento de mentira? Dois anos? É um absurdo.
Ela tentou focar nas suas tarefas habituais. Preparou um chá, abriu o notebook para revisar algumas notas da faculdade de administração, mas as palavras pareciam embaralhar na tela. A proposta dele, por mais ultrajante que fosse, tinha deixado um eco incômodo.
Duas horas depois, o som de notificações no celular a interrompeu. Ela pegou o aparelho sobre a mesa. Era um e-mail do banco, um lembrete automático sobre a próxima parcela do financiamento estudantil que venceria em cinco dias. Logo abaixo, uma mensagem no grupo da família: sua mãe comentando que o pai precisaria passar por novos exames cardiológicos no mês seguinte, exames que o seguro de saúde básico deles não cobria integralmente.
Alice encarou a tela por um longo tempo. Ela engoliu em seco, sentindo o peso do mundo real esmagar a crista do seu orgulho. Dois milhões de dólares. A quitação da dívida que a prenderia pelos próximos dez anos. O melhor tratamento médico para o pai. Tudo isso em troca de uma assinatura e de um teatro de dois anos ao lado de um homem que parecia exalar perigo e poder a cada milímetro.
Ela se levantou, caminhou até a janela do apartamento e olhou para a silhueta distante dos arranha-céus de Manhattan iluminando o céu escuro. Ela odiava admitir, mas a proposta de Ethan Vance não era apenas uma ofensa insolente. Era, também, uma saída de emergência dourada. E o prazo terminava na manhã seguinte.