A quarta-feira amanheceu com aquele céu cinzento e típico de Manhattan, com uma névoa baixa cobrindo o topo dos arranha-céus. Entrei na empresa antes das oito da manhã, sentindo o peso da decisão que tomamos no dia anterior assentar definitivamente nos meus ombros. No corredor do trigésimo andar, o movimento ainda era escasso, mas o burburinho sobre as mudanças administrativas já começava a circular entre as mesas.
Quando cheguei à minha antessala, a mesa que antes pertencia a uma funcionária realocada para o setor de RH agora exibia uma organização impecável. O notebook corporativo estava fechado, um bloco de notas perfeitamente alinhado ao lado do telefone e, bem ali, sentada com a postura reta, estava Alice.
Ela usava uma saia lápis preta de cintura alta que se moldava perfeitamente aos seus quadris curvilíneos e uma camisa de seda branca com os primeiros botões fechados discretamente. Os óculos de armação fina estavam apoiados no nariz e o rabo de cavalo estava firme. Quando ela ergueu os olhos castanhos e encontrou os meus, senti meu sangue dar aquela pontada familiar, descendo rápido. Meu membro deu um sinal de vida imediato contra a calça de alfaiataria. Que porr*. A mera presença dela naquele espaço agora parecia ocupar todo o oxigênio do lugar.
— Bom dia, senhor Vance — ela disse, a voz num tom profissional, mas firme, sem vacilar.
Parei diante da mesa dela, apoiando uma das mãos na borda da madeira, sentindo o perfume de baunilha me atingir em cheio.
— O que nós combinamos ontem sobre o nome, Alice? — perguntei, mantendo a voz baixa, quase um sussurro, aproveitando que o corredor ainda estava vazio.
Ela engoliu em seco. Notei as pintas no seu pescoço se moverem sutilmente com o gesto, e o contraste daquela pele branca com a gola da camisa me deu um estalo de calor na boca do estômago.
— Bom dia, Ethan — ela corrigiu, ajustando os óculos com a ponta do dedo, mantendo o olhar fixo no meu. — Suas planilhas de metas semanais e os relatórios de custos da obra de Long Island já estão na sua mesa. Também agendei a videoconferência com os engenheiros para às dez.
— Excelente. Venha até a minha sala em cinco minutos para alinharmos os detalhes do jantar de sexta-feira.
Não esperei resposta. Girei os calcanhares e entrei no meu escritório, fechando a porta atrás de mim. Joguei minha pasta de couro sobre o sofá e caminhei até a janela, tentando respirar fundo. Meu pau estava duro, teso contra o tecido texturizado da calça. Aquilo já estava virando uma provocação do meu próprio corpo. Eu precisava manter a cabeça no lugar; ela agora era minha funcionária oficial e, no papel, minha futura noiva. Misturar as coisas fisicamente não fazia parte do trato que desenhamos.
Exatamente cinco minutos depois, a porta se abriu após duas batidas discretas. Alice entrou segurando um tablet contra o peito. Ela caminhou com passos medidos e sentou-se na poltrona à minha frente. A saia lápis subiu alguns centímetros, revelando uma parte das suas coxas claras, o que só piorou a minha situação.
— O jantar de sexta — ela começou, abrindo a tela do aparelho. — Presumo que seja com os seus pais.
— Exatamente — respondi, sentando-me na minha cadeira de couro e tentando adotar a postura mais corporativa possível para disfarçar o volume incômodo na minha calça. — Meu pai quer uma resposta sobre os meus planos futuros e o Richard vai estar lá para tentar farejar qualquer fraqueza. É aí que o nosso teatro começa oficialmente. Precisamos de uma história convincente de como nos conhecemos e de como isso evoluiu rápido.
Alice me observou por trás das lentes dos óculos, pensativa. As pintas perto do canto da boca se destacaram quando ela franziu os lábios de leve.
— Uma história simples funciona melhor — ela sugeriu, a voz calma. — Podemos dizer que nos conhecemos no arquivo central da empresa há alguns meses, quando precisei de uma assinatura sua em um contrato urgente, e que passamos a conversar fora do expediente. Algo discreto, que justifique por que ninguém no andar da diretoria desconfiou de nada até agora.
— Perfeito. Menos é mais quando se trata de mentir para o meu pai — concordei, impressionado com a praticidade dela. — Ele vai tentar te encurralar com perguntas sobre a sua família e seus planos de carreira. Seja honesta sobre a sua vida acadêmica. Eles sabem que você é de uma família trabalhadora, o Eduardo já limpou o terreno nesse sentido. O foco deles vai ser o nosso entrosamento.
Alice assentiu, anotando algo no tablet.
— E quanto às aparências físicas? — ela perguntou, erguendo o olhar, me encarando com uma seriedade que quase me fez esquecer o roteiro. — Toques, proximidade... Como o senhor... como você quer conduzir isso diante deles?
Senti um calafrio subir pela espinha. A ideia de tocá-la, mesmo que de mentira, fez meu membro pulsar ainda mais forte na calça.
— O natural, Alice. Segurar a sua mão ao sentar à mesa, um toque nas suas costas quando formos entrar nos ambientes. Nada exagerado. Precisamos parecer um casal que se respeita e que está genuinamente envolvido, não dois adolescentes se agarrando pelos cantos. Meu pai perceberia a armação em dois segundos se fôssemos teatrais demais.
— Entendido — ela respondeu, levantando-se da poltrona com agilidade. A saia se ajustou novamente àquela bunda imensa, desenhando uma silhueta que me deixou sem ar por um segundo inteiro. — Vou preparar os documentos para a reunião das dez. Com licença, Ethan.
— Alice — chamei antes que ela tocasse na maçaneta. Ela parou, olhando por cima do ombro. — O dinheiro já caiu na sua conta?
Ela hesitou por um momento, a expressão suavizando ligeiramente, revelando um vislumbre da garota por trás da armadura profissional.
— Sim. O banco confirmou o depósito e o comprovante de quitação do financiamento estudantil chegou no meu e-mail antes de eu sair de casa. Obrigada pela... agilidade.
— É apenas o cumprimento do contrato — respondi, mantendo o tom seco para não demonstrar o quanto a voz dela me afetava. — Até as dez.
Ela saiu, deixando-me sozinho com os meus papéis e com uma tensão que parecia longe de acabar. O restante da quarta-feira voou entre reuniões técnicas e telefonemas com fornecedores de aço. Alice se comportou como uma profissional de primeira linha; trazia os relatórios antes mesmo que eu pedisse, filtrava as ligações inúteis e mantinha uma distância perfeitamente regulamentar que só me dava mais vontade de quebrar todas as regras daquela p0rra de escritório.
Por volta das seis da tarde, o andar começou a esvaziar. Desliguei o computador e saí da minha sala, encontrando-a organizando a mesa para encerrar o expediente.
— Vá para casa e descanse, Alice — falei, vestindo meu paletó. — Amanhã o dia vai ser longo. Vou pedir para o Eduardo enviar um motorista para te buscar na sexta à tarde. Quero que você vá a uma loja na Quinta Avenida que eu selecionei. O vestido para o jantar é por minha conta.
Alice parou o que estava fazendo e me encarou, parecendo prestes a protestar sobre o presente, mas apenas respirou fundo e assentiu.
— Tudo bem. Boa noite, Ethan.
— Boa noite — respondi, saindo em direção ao elevador.
Enquanto o painel digital mostrava os andares descendo em direção à garagem, apertei a mandíbula. O primeiro teste seria na sexta-feira. Eu tinha o contrato assinado, tinha a farsa montada, mas olhar para aquela mulher e não poder tocá-la do jeito que meu corpo exigia estava se tornando o pior e mais excitante castigo que eu já havia criado para mim mesmo.