O vento lá fora batia nas janelas do chalé como se tentasse entrar, como se quisesse fazer parte daquela súbita tempestade que agora se formava dentro deles.
Depois que Ricardo bateu a porta na cara de Caio — ou talvez apenas a fechou rápido demais por instinto — o silêncio que se instalou era tão espesso que quase dava para pegá-lo com as mãos.
Camila ficou parada no meio da sala, respirando fundo, tentando controlar o coração que parecia querer escapar do peito.
Ricardo caminhava de um lado para o outro, as mãos no cabelo, murmurando coisas que ela não conseguia entender.
— Ricardo… — ela chamou.
Ele nem pareceu ouvir.
— Ele veio até aqui. Ele nos seguiu. Ele sabia onde estávamos. Como diabos Caio sabia? — Ricardo disparava, cada frase mais tensa que a anterior. — Isso não faz sentido. Nada disso faz.
Camila se aproximou devagar.
— Eu sei que é estranho, mas…
— Estranho? — ele a interrompeu, virando-se de repente. — Camila, isso é perigoso! E você… você simplesmente olha para ele co