Capítulo 08 - Um pedido estranho

Selena Foster -  Narrando

Eu não esperei que ele respondesse.

Antes que ele abrisse a boca e pensasse em rejeitar a minha ajuda, envolvi o braço dele no meu e o ajudei a subir os degraus vagarosamente.

—Não precisa. Eu consigo sozinho. – Disse ele, nitidamente caminhando com dificuldade.

— Você não é de ferro. Deixa de ser orgulhoso, todo mundo precisa de ajuda um dia. – Falei sem pensar, tentando o ajudar a subir.

Ele era uma pessoa muito desconfiada.

Assim que chegamos no quarto, empurrei a porta com o pé e o ajudei a ir até a cama.

Philip se soltou de mim e se jogou de lado na cama, soltando um gemido rouco, enquanto se enfiava entre as almofadas.

Fiquei parada o observando por um tempo até que o vi apagar no sono pela dor.

Eu queria ter a certeza de que ele estava respirando; foquei os olhos no peito dele, contando cada movimento, observando o peito dele subir e descer de forma irregular.

O rosto daquele Homem, que era sempre tão controlado, estava com as sobrancelhas vincadas e uma expressão vulnerável junto a cor pálida.

Soltei um suspiro encarando aquela cena; o Homem mais imbatível, derrotado pela dor, exibindo sua vulnerabilidade por ter tempo de cuidar de si mesmo.

—Bom descanso, senhor Caldwell! – Falei baixo, girando os pés para sair do quarto.

Aproveitei para conferir se as crianças estavam dormindo e desci as escadas, voltando para a ala dos empregados.

Assim que entrei no meu quarto, tomei um banho vestindo uma roupa mais leve e me deitei.

O sono não veio.

Me virei de um lado para o outro, sentindo meu peito se apertar.

Algo estava me incomodando. Algo não me deixava descansar naquela noite e aquela inquietação me tirou da cama.

Fui até o quarto das crianças para ver se estava tudo bem, como eu fazia todas as noites, mas algo me incomodou.

—Será que ele melhorou? – Perguntei como um pensamento alto, hesitante de ir até lá.

Mas a inquietação era maior do que eu.

Me movi até o quarto de Philip e assim que empurrei a porta, o vi diferente de tudo o que eu havia visto esses dias.

 Ele gemia de frio, falando coisas que eu não conseguia entender.

Me aproximei dele, e ao chegar bem perto, notei olheiras vermelha e a pele pálida.

—Minha nossa! – Resmunguei tocando a testa dele, vendo-o mais quente que uma temperatura normal.

Sem esperar, corri até o banheiro e encontrei uma toalha pendurada. Eu a molhei e voltei até ele, colocando-a em sua testa.

Philip resmungou por um instante; talvez fosse o contato do pano frio com sua pele quente, mas logo ele voltou a dormir.

—E agora? – Perguntei para mim mesma, me sentindo aflita.

Sem esperar muito, sai do quarto e fui apressada pedir ajuda.

Avistei um dos empregados e o chamei às pressas.

—Por favor, me ajude. O senhor Caldwell! – Falei apontando para a escada e então, dois homens subiram apressados. E logo em seguida, Maria foi chamada.

Fiquei parada do lado de fora do quarto esperando que eles dissessem algo. De repente a porta se abriu e Maria tocou meu braço, fazendo que eu a olhasse no esmo instante.

—Selena...- Disse ela soltando um suspiro. —Obrigada por nos chamar.

—Não foi nada. – Respondi a vendo com um olhar preocupado.

—Será que poderia ficar um instante? Preciso chamar o médico.

—Claro. Sem problema algum. – Falei entrando no quarto.

Não havia mais ninguém além de mim e ele.

Eu me aproximei dele para ver se estava tudo bem e tirei o pano, para molhar novamente. Assim que coloquei em sua testa, me surpreendi ao sentir uma mão forte segurar o meu pulso.

—Senhor Caldwell...

—Por favor, fique!

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