Mundo ficciónIniciar sesiónPhilip Caldwell – Narrando.
Eu havia acabado de sair do hospital.
Precisei tomar um antialérgico antes que eu me complicasse; eu não poderia ter uma crise agora.
Respirei fundo e sai do carro, ajustando a minha roupa.
A noite já havia caído e, mesmo depois de chegar em casa, o trabalho ainda não saía de mim.
— Mande um aviso. Providencie uma notificação formal à cafeteria. Quero isso documentado ainda hoje — ordenei à minha assistente. — Quero o nome da funcionária, o horário do ocorrido e o comprovante do pedido.
Antes que eu pudesse ouvir a resposta, meu pé se afundou em algo, fazendo um ruído engraçado e irritante. – Era um pato de borracha.
Meu corpo se estremeceu de nervoso e antes que eu pudesse reclamar, um par de braços envolveu meu corpo.
Meu corpo se enrijeceu imediatamente.
— Que diabos pensa que está fazendo? — perguntei em tom baixo e duro, enquanto via a babá ajeitar a roupa, tentando se aproximar novamente.
— O senhor deve ter tido um dia cansativo… deixe-me o ajudar com o terno. – Disse ela, levando o par de mãos ao meu peito, mas antes que ela encostasse, dei um passo para trás.
— Não toque em mim. —Falei segurando as mãos dela no ar. — Essa bagunça. Oque dignifica isso?
— Ah, os docinhos estavam brincando. Eu os mandei tomar banho e os coloquei para dormir mais cedo… — disse ela, ajustando o decote do vestido. — Assim poderíamos ficar mais à vontade.
— Ficar à vontade? — repeti, virando o rosto levemente enquanto sentia o maxilar travar. — Senhorita, recomponha-se. Eu a contratei para cuidar dos meus sobrinhos. Nada além disso.
Ela parecia não me ouvir. – Parecia que eu estava falando em outro idioma.
— Eu só queria ajudar… O senhor parece tão tenso. – Disse ela dando a volta atrás de mim, tocando em meus ombros.
— Eu disse para não me tocar. — Minha voz saiu firme, sem espaço para discussão. Eu me desvencilhei do toque, ficando novamente de frente para ela. — Não preciso mais dos seus serviços. Pegue suas coisas e saia.
— Senhor Caldwell… Por quê? — ela tentou argumentar, deixando a voz falhar. —Pensei que estivéssemos nos dando bem...
Eu a olhei completamente desacreditado com o que eu ouvia e arqueei uma sobrancelha.
—Não, nós não estamos. Existe um certo limite entre chefe e funcionária e a senhorita ultrapassou todos eles. Pegue suas coisas e saia.
— Senhor Cald...- Eu estava no meu limite e não consegui me segurar.
Pontei para a porta da entrada, olhando-a com frieza.
— Saia. Agora.
Ela não insistiu novamente.
Observei enquanto a via pegar a bolsa às pressas, deixando a casa. O perfume doce e enjoativo ficou no ar, fazendo meu estômago se revirar.
Soltei um resmungo irritado e caminhei até a poltrona, empurrando alguns brinquedos com o pé.
Minha cabeça parecia querer explodir. E além do caos de sempre, agora eu tinha mais um problema com outra babá. – Todas pareciam iguais. Aceitavam a vaga apenas para poder tirar proveito disso.
Passei a mão pelas têmporas e peguei o celular novamente, lembrando da ligação interrompida. Disquei para minha assistente e esperei até que atendesse.
— Senhor Caldwell?
— Senhorita Morgan — respondi, com a voz cansada, porém firme. — Vou precisar de outra babá. Com urgência.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha.
— Mais uma, senhor? — ela perguntou com cuidado. — A última não durou nem duas semanas… houve algum problema específico desta vez?
— Falta de profissionalismo, como sempre. — Respondi sem hesitar. — Essa ultrapassou limites que foram claramente estabelecidos.
Ela suspirou discretamente.
— Entendido. Vou providenciar imediatamente.
— Antes disso, deixe três pontos absolutamente claros no anúncio — continuei. — Primeiro: experiência comprovada com crianças. Segundo: estabilidade emocional e psicológica.
Fiz uma breve pausa, passando a mão pela testa.
— E terceiro: nenhum tipo de interesse pessoal em mim. O vínculo será estritamente profissional. E o valor não é um problema.
— Sim, senhor. Vou cuidar disso agora mesmo — respondeu ela, profissional como sempre.
Desliguei o telefone e fiquei alguns segundos parado antes de me levantar.
Subi as escadas lentamente até o quarto das crianças. A porta estava entreaberta, e a luz dos abajures criava um ambiente tranquilo. Eles dormiam profundamente.
A cena sempre me causava um aperto estranho no peito.
Desde a morte dos pais deles, assumi a responsabilidade de cuidar dos dois e garantir que nada lhes faltasse. Ainda assim, eu nunca havia sido bom com crianças.
Talvez nunca fosse.
Fechei a porta com cuidado e segui até o final do corredor, onde encontrei uma das empregadas caminhando pelo lugar.
— Senhor Caldwell, posso ajudá-lo em alguma coisa?
A olhei e soltei um respiro cansado.
— Não. Apenas certifique-se de que nada do que aconteceu hoje chegue até eles.







