O envelope não saiu da mente de Camila nem por um segundo.
Desde a noite anterior, os documentos pareciam pulsar dentro da gaveta onde ela os escondera, como se soubessem que não podiam permanecer em silêncio por muito tempo. Cada passo pela casa carregava a sensação de estar sendo observada — não apenas por Tâmara, mas por algo maior, mais antigo, que agora exigia ser encarado.
Adrian estava diferente.
Mais fechado.
Mais atento.
E perigosamente contido.
Ele não falava sobre os papéis, mas o modo como observava Tâmara havia mudado. Já não havia apenas resistência — havia cálculo.
Tâmara percebeu.
Ela sempre percebia quando o controle começava a escorrer pelos dedos.
Naquela manhã, durante o café, ela assumiu um tom quase cordial demais.
— Lucas, querido, depois da escola vamos passar na casa da vovó — disse, sorrindo. — Ela sente sua falta.
Lucas olhou instintivamente para Adrian.
— O papai vai?
— Não — respondeu Tâmara, rápida demais. — É um momento nosso.
O silêncio na mesa foi imed