Tâmara não dormiu naquela noite.
O silêncio da mansão, que antes lhe trazia sensação de domínio, agora parecia acusador. Cada estalo da madeira, cada sombra projetada pelas luminárias do corredor a fazia apertar os dedos com mais força ao redor da xícara de chá que esfriava em suas mãos.
Ela sentia.
Não apenas suspeitava — sentia que algo estava escapando.
Adrian já não reagia como antes. Não explodia. Não implorava. Não se defendia em excesso. Ele observava. Esperava. E isso a deixava inquieta.
Pior ainda: Camila.
Camila havia deixado de ser apenas uma presença incômoda. Agora era uma ameaça silenciosa. Uma força que não se impunha, mas sustentava. E isso desmontava tudo o que Tâmara conhecia sobre controle.
Na manhã seguinte, Tâmara tomou uma decisão.
Mudaria o tom.
— Lucas vai passar mais tempo comigo hoje — anunciou durante o café. — Precisamos reforçar vínculos.
Lucas congelou.
Camila sentiu imediatamente o impacto, mas manteve o rosto neutro.
— Ele tem aula de música à tarde — r