A proposta da viagem não era um convite. Era um teste.
Camila percebeu isso no instante em que Tâmara pronunciou as palavras, com aquela calma rígida que antecedia suas decisões mais cruéis. Adrian também percebeu. O problema era que, dessa vez, recusar significava muito mais do que um conflito doméstico — significava provocar uma reação imprevisível.
— Para onde? — perguntou Adrian, medindo cada sílaba.
— Um lugar tranquilo — respondeu Tâmara. — Onde Lucas possa respirar longe de influências externas.
Camila sentiu o estômago gelar.
— Influências externas? — questionou, controlada. — A escola? Os profissionais? Ou eu?
O olhar de Tâmara pousou nela com frieza cirúrgica.
— Você — respondeu, sem hesitar.
O silêncio que se seguiu foi sufocante.
— Isso não é saudável — disse Adrian. — Isolar Lucas não vai ajudá-lo.
— Isolamento? — Tâmara sorriu. — Estou falando de proteção. E como esposa e responsável legal, tenho esse direito.
A palavra “esposa” soou como uma algema.
Naquela noite, Adria