ARTHUR CASTELLANI
O vapor do café recém-passado subia em espirais lentas enquanto eu encarava a caneca esquecida na mão. Estava em casa, mas não me sentia ali. Tudo parecia uma encenação. A madeira do piso impecável, o mármore frio das bancadas, até mesmo a voz da assistente virtual que me lembrava da próxima reunião. Um império silencioso. Um império que podia desmoronar a qualquer momento — e talvez por culpa minha.
Ou por algo muito mais íntimo.
Soltei um suspiro longo. A pasta azul do dossiê