MAITÊ
Foram vinte e quatro dias. Vinte e quatro amanheceres em que eu me levantava do sofá ou da cama vazia, esperando que a porta destravasse, que o celular vibrasse, que a voz dele ecoasse novamente naquele apartamento silencioso. Vinte e quatro dias de ausência.
Arthur Castellani havia desaparecido.
O apartamento era dele. A vista era dele. O vinho na adega, as roupas dobradas com precisão nos armários de madeira escura — tudo gritava Arthur. Menos a ausência dele. Essa, silenciosa, me dilace