Naquela manhã, Leonor desceu as escadas com uma elegância meticulosa, como era seu costume. O perfume caríssimo que usava a precedia, anunciando sua presença antes mesmo de abrir a boca. Vestindo um sofisticado conjunto de linho bege que realçava sua figura, ela completava o visual com óculos escuros elegantes e um sorriso cuidadosamente ensaiado no espelho — era o tipo de mulher que disfarçava o vazio que a consumia internamente, um vazio que, por trás da fachada de perfeição, pulsava como um aviso silencioso.
— Estarei fora por algumas horas — avisou a uma das empregadas, fazendo sua voz desinteressada soar como parte de uma rotina diária, mas, ao mesmo tempo, ecoando uma sensação de libertação. — Tenho uma consulta médica e talvez pare em algumas lojas, porque quem sabe do que eu realmente preciso encontrar para preencher esse abismo?
Na sala de estar, Dean, absorvido nos documentos, levantou o olhar do jornal, mantendo a indiferença que aperfeiçoara com