O telefone tocou, quebrando o silêncio confortável do quarto de Leonor, um espaço envolto em uma atmosfera de tranquilidade irônica, onde a luz suave do sol filtrava-se pelas cortinas, como se quisesse disfarçar as nuvens de confusão que pairavam em sua mente. Ela atendeu com a voz calma, mas era evidente que o tédio a drenava. — Alô,— Leonor, é a Brenda, a voz do outro lado soava firme, mas trazia consigo um traço de hesitação que não passou despercebido por Leonor, a ligação parecia carregar um peso que ia além da simples conversa. — Estou ligando para avisar que a bebê precisa comparecer ao pediatra, vai completar quinze dias e deverá tomar as primeiras vacinas, além de fazer a consulta de rotina. A perspectiva de tudo isso já começava a aterrorizar Leonor. Subitamente, a realidade de ser mãe começou a se manifestar em sua mente de forma mais crua e palpável. Um misto de ansiedade e responsabilidade a envolvia, quase como um manto pesado que a sufocava lentamente.