Eu já tinha aprendido a fazer parecer normal.
Acordar.
Faculdade.
Ensaios.
Empresa.
Dormir.
Era quase uma coreografia. Um ciclo repetido tantas vezes que o corpo começava a executar sozinho, como um mecanismo bem treinado. Eu levantava antes mesmo do despertador tocar às vezes, sentindo aquele peso estranho no peito que parecia ter se tornado parte permanente de mim. Não era exatamente dor aguda — não mais. Era algo mais constante. Um aperto silencioso, como se alguma coisa estivesse sempre pre