CAPÍTULO 4
Quem ligava era Bruno Campos, amigo de Vitor.

Nos três anos em que ficou com Vitor, Marina só tinha visto os amigos dele algumas vezes. Não podia dizer que os conhecia bem.

Mas, por algum motivo, nas poucas vezes em que se encontraram, ela sentiu vagamente uma hostilidade vindo deles.

Por isso, aos poucos, quando Vitor se reunia com esses amigos, ela já não queria ir junto.

Ela tinha salvo o número deles quando se conheceram, mas, nesses três anos, quase nunca se falaram.

Agora que Bruno ligava de repente, Marina não sabia explicar por que sentia tanta inquietação.

Ainda assim, nesses três anos, diante de Vitor e diante daquele grupo de amigos, ela sempre manteve a imagem de uma pessoa gentil e fácil de lidar.

Por isso, por mais que não quisesse atender, Marina não podia simplesmente ignorar a ligação. Justamente agora, ela precisava agir com ainda mais cuidado para não levantar suspeitas.

Depois de respirar fundo e conter a inquietação, Marina atendeu.

— Marina, sala VIP 606 do Baía Serena. Quase todo mundo já chegou. Vem pra cá também.

A ligação mal foi atendida, e a voz de Bruno veio pelo telefone.

Junto com a voz dele, vinha o som de um ambiente bastante movimentado.

— Aconteceu alguma coisa? — Marina segurou o celular com força e perguntou no tom de sempre.

— Nada demais. É que você e o Vitor já vão ficar noivos, mas ele vive te escondendo da gente. Depois de tantos anos, a maioria dos caras aqui mal teve chance de te conhecer direito. Ficamos curiosos pra saber que tipo de mulher conseguiu conquistar o Vitor.

— Fica tranquila, Marina. A gente não tem má intenção. Só achamos que, já que o Vitor te escolheu, daqui para frente você também precisa se sentir parte desse círculo, certo?

Marina franziu levemente a testa, mas ainda assim aceitou.

Achou que seria apenas mais uma reunião comum, como antes. Embora não gostasse muito daquele tipo de ambiente, já tinha se preparado.

Mas, quando chegou à sala, percebeu que havia muito mais gente do que o normal. Vários rostos eram desconhecidos.

Parada na porta, olhou em volta e não viu Vitor. Estava prestes a sair, mas Bruno a segurou.

— Pessoal, deixa eu apresentar. Esta é Marina Ramos, namorada do Vitor e futura noiva dele.

Com aquelas palavras, quase todos na sala olharam para ela.

Marina não estava acostumada àquele tipo de ocasião. Virou-se para Bruno.

— Por que o Vitor ainda não chegou? Vou ligar para ele.

Ela mal tentou sair para fazer a ligação, mas Bruno a puxou para dentro da sala.

— O Vitor foi buscar alguém. Já chega. Agora ele provavelmente está dirigindo, não precisa ligar. Entra e fica um pouco com a gente.

Dizendo isso, ele puxou Marina para dentro. Logo, várias pessoas se aproximaram.

Todos diziam palavras bonitas, mas Marina não sabia por quê, conseguia ver malícia e vulgaridade nos olhares que caíam sobre ela.

Vitor era um dos novos nomes de peso da Cidade G e tinha bastante prestígio. Em circunstâncias normais, ninguém ousaria olhar para a namorada dele daquele jeito, de forma tão descarada.

A menos que ele nunca tivesse tratado Marina como sua namorada de verdade.

Um frio se espalhou no peito dela. A ligação que tinha ouvido pela manhã explodiu de novo em sua mente.

Vendo as pessoas ao redor se aproximarem uma atrás da outra para empurrar bebida nela sob o pretexto de brindar, as mãos de Marina foram se fechando ao lado do corpo.

Ela ainda queria suportar um pouco e ver como Vitor lidaria com aquilo quando chegasse.

Mas, quando um homem engomadinho se inclinou na direção dela, colocou a mão grande diretamente sobre sua coxa.

A palma dele era úmida, pegajosa e quente, provocando uma náusea inexplicável.

Marina não se conteve e o empurrou.

Bruno, ao lado, também achou que ele tinha passado do limite e disse friamente:

— Igor, onde você pensa que está enfiando essa mão nojenta? Ela é namorada do Vitor!

— Se bebeu demais, vai tomar um ar. Para de arrumar confusão aqui.

Mas Igor, naquele momento, obviamente já tinha bebido demais. Ele soltou uma risada fria.

— Vai fingir pureza agora? Vocês não sabem que tipo de mulher ela é?

— Aceitou fazer aquele ensaio sensual ousado sem pensar duas vezes. Eu ainda estou esperando o Vitor mostrar as fotos em alta definição. Agora, só porque toquei por cima da meia-calça, ela já não aguenta? Que sonsa.

Quando Igor disse isso, Vitor abriu a porta e entrou, ouvindo tudo com clareza.

Ao ver Marina parada ali, pálida, Vitor avançou com passos firmes e derrubou Igor com um chute, enquanto ele ainda resmungava insultos.

Bruno se apressou em dizer:

— Não estão vendo que ele bebeu demais? Tirem ele daqui agora.

Depois de ver os outros arrastarem Igor para fora, Bruno falou em um tom indiferente:

— Marina, desculpa. Ele é um imbecil, fala sem medir as palavras. Não liga para isso.

Marina não respondeu. Apenas manteve os olhos fixos em Vitor e perguntou, séria:

— O que ele quis dizer com ensaio?

Na verdade, todos ali sabiam. Mas Marina ainda queria uma resposta.

Ela queria ver que desculpa absurda o homem que tinha amado por tantos anos ainda conseguiria inventar para enganá-la.

— É um ensaio no estilo daqueles que as celebridades fazem. Antes, eles falaram que você tinha um corpo bonito e me pediram para te levar para fazer umas fotos. Eu só concordei sem pensar.

— Mas eu também não imaginei que eles teriam coragem de falar disso assim.

— A culpa é minha.

Vitor disse isso, segurou a mão de Marina com força e a levou para fora.

Não muito longe da sala, Igor ainda falava besteiras com os homens que o tinham puxado para fora.

Vitor levou Marina até lá depressa, pegou uma garrafa, colocou-a na mão dela e, segurando sua mão, acertou em cheio a cabeça de Igor.

Igor ficou atordoado. Agachou no chão, segurando a cabeça de dor.

Os outros também se assustaram, recuaram vários passos e não ousaram dizer nada.

— Igor, olha bem para ela. Ela é minha mulher. Se você se atrever a fazer esse tipo de piada com ela de novo, não vai acabar só com a cabeça rachada. Entendeu?

Vitor tinha começado do zero e subido na vida passo a passo. No caminho, passou por momentos de desespero e humilhação, e aguentou o que muita gente jamais teria aguentado.

Foi tudo isso que tornou seu temperamento instável e cruel como era agora. Muita gente tinha medo dele.

Foi o caso de Igor naquele momento. Mesmo cheio de raiva, mesmo com a cabeça doendo como se fosse explodir, ele só conseguiu engolir a raiva e a dor, se levantar e pedir desculpas a Marina.

Só depois que Igor pediu desculpas, Vitor se voltou para Marina e a olhou sério.

— Se alguém fizer alguma coisa com você, você revida. Entendeu? Não importa o que você faça, eu assumo as consequências por você. Então não tenha medo.

— Desculpa. Hoje a culpa foi minha. Esqueci o quanto esse grupo não presta. Não devia ter pedido ao Bruno para te buscar.

— Se você não se dá bem com eles, então não precisa se forçar. Não liga para essa gente.

Vitor disse aquelas palavras com tanta sinceridade que, ao vê-lo se inclinar levemente para olhá-la, Marina ficou atordoada por um instante. De repente, já não conseguia entendê-lo.

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