CAPÍTULO 5
— Vitor.

Nesse momento, uma voz clara soou atrás deles, interrompendo os pensamentos de Marina.

Ela virou a cabeça por instinto. Uma garota de cabelo curto, arredondado nas pontas, usando um vestido branco, caminhava na direção deles com um sorriso discreto.

Só quando chegou perto, pareceu notar Marina. Então olhou para Vitor, ainda sorrindo.

— Essa é a sua noiva, né? Vitor, por que você não me apresentou?

Vitor segurou a mão de Marina com mais força e respondeu com um leve sorriso:

— É. Marina Ramos, minha noiva.

Então olhou para Marina.

— Marina, esta é Cecília Sousa. Eu a conheci quando estava no exterior.

— Marina, prazer em te conhecer. — Cecília sorriu e estendeu a mão para ela.

No instante em que Cecília apareceu diante dela, Marina sentiu um desconforto difícil de explicar.

Talvez fosse apenas intuição de mulher, mas aquela sensação fez com que ela não gostasse de Cecília desde o primeiro momento.

Mesmo assim, por consideração a Vitor, Marina estendeu a mão e a cumprimentou.

Mas, assim que suas mãos se tocaram, uma dor aguda atravessou a palma de Marina. Por instinto, ela puxou a mão de volta.

O movimento nem tinha sido grande, mas Cecília agiu como se tivesse sido empurrada. Cambaleou vários passos para trás e torceu o tornozelo com força.

Vitor avançou depressa e a segurou.

— Está tudo bem?

Cecília balançou a cabeça rapidamente, mas os olhos já estavam cheios de lágrimas.

— Estou bem, Vitor. Eu sei que nunca fui muito querida desde pequena.

Depois de ouvir aquilo, Vitor franziu levemente a testa e olhou para Marina.

— O que aconteceu com você?

Em três anos de namoro, era a primeira vez que Marina via Vitor olhar para ela daquele jeito, frio e cortante.

Antes, fosse de verdade ou de mentira, pelo menos na frente dela ele sempre a defendia.

Até no caso de Igor, ele tinha levado aquilo ao limite.

Mas agora, por causa de Cecília, parecia que, pela primeira vez, ele não conseguia esconder a frieza nos olhos.

No instante em que encarou aquele olhar, Marina sentiu como se agulhas afiadas entrassem pelos seus olhos e se cravassem direto no coração. A dor foi tão forte que, por um segundo, ela quase se esqueceu de respirar.

Ela ergueu a mão, querendo provar que não tinha feito nada. Mas a palma estava limpa. Só havia ali um pontinho vermelho, pequeno a ponto de quase passar despercebido.

Marina ficou parada, atordoada.

Ela sabia que, se dissesse naquele momento que o pontinho tinha sido feito por Cecília, que ela só tinha puxado a mão porque doeu demais e que nem sequer a tinha empurrado, Vitor não acreditaria.

Pior ainda, aquilo soaria como uma acusação forçada.

Faria parecer que ela era mesquinha demais, incapaz de aceitar qualquer mulher perto de Vitor.

As emoções se reviravam dentro dela, mas Marina engoliu tudo naquele instante. Com uma expressão paciente, disse:

— Desculpa, Srta. Cecília. Você está bem?

— Eu vi um inseto passando agora há pouco. Tenho medo de inseto desde pequena, então puxei a mão sem pensar. Eu realmente não imaginei que fosse fazer você perder o equilíbrio.

Enquanto dizia isso, os olhos de Marina também ficaram vermelhos. Ela levantou o rosto para Vitor, com ar magoado.

— Vitor, desculpa. Dá para ver que a Srta. Cecília é muito importante para você, mas eu realmente não fiz de propósito.

Só então Vitor percebeu que tinha exagerado.

Ele se apressou em dizer:

— Bobinha, falando besteira de novo. Quem poderia ser mais importante do que você?

— É que Cecília acabou de voltar do exterior. Afinal, ela é convidada. Se ela se machucasse por causa da minha noiva, não seria nada bom, certo?

Cecília ouviu Vitor dizer aquilo para Marina com tanta ternura, e o olhar dela esfriou por um instante. Mas, quando abriu a boca, cada palavra parecia generosa.

— Vitor, eu não sou tão frágil assim. No exterior, nós passamos por tanta coisa difícil. Agora foi só uma torção no pé. Não é nada.

— Vou entrar para cumprimentar Bruno e os outros. Não vou atrapalhar vocês dois.

Cecília disse isso e entrou mancando na sala.

Marina se apressou em dizer:

— A Srta. Cecília torceu o pé. Não dá para fingir que não aconteceu. Vitor, é melhor você levá-la ao hospital para ver isso. Torção não é brincadeira.

— Não precisa. Ela sabe cuidar de uma torção assim. — Vitor olhou sério para Marina. — Agora eu só estou preocupado com você. Ainda está chateada?

— Se ainda estiver se sentindo mal, a gente vai embora primeiro, está bem?

Marina olhou para aquele homem "atencioso" à sua frente e falou baixinho:

— Vitor, eu nunca consigo me enturmar com seus amigos. Isso acaba estragando o clima, não acaba?

— Na verdade, por você, eu posso tentar de novo. Talvez, depois de conviver mais com eles, eu consiga.

— A Srta. Cecília consegue. Eu também deveria conseguir.

Assim que Marina terminou de falar, Vitor a puxou para os braços.

— Bobinha, você não precisa se comparar com ninguém. Vocês são diferentes. Ela cresceu lutando para sobreviver e aprendeu a ler o humor dos outros para continuar de pé.

— Você é diferente. Desde pequena, você foi o tesouro do Sr. Roberto, e agora é a pessoa que eu mais quero mimar. Então nunca vai precisar se sacrificar nem agradar ninguém.

— Se você não se dá bem com eles, então não precisa conviver com eles. Eu te protejo, eu te mimo. Ninguém vai ousar falar mal de você.

Vitor disse aquilo com a mesma firmeza e a mesma paixão de sempre. Mas, naquele momento, Marina não se sentiu tocada. O que sentiu foi uma inquietação enorme e uma rejeição difícil de conter.

Ela jamais tinha percebido que o homem que amava podia ser tão falso.

Ela não era de fazer joguinhos, mas isso não significava que fosse burra.

Aquele grupo sempre tratava as pessoas conforme o status que elas tinham. Como ela não saberia disso?

Se Vitor realmente a amasse tanto assim, como poderia existir um círculo em que ela não conseguisse entrar?

Aquelas pessoas já teriam aprendido a agradá-la. Sempre que ela aparecesse, teriam moldado o ambiente para deixá-la confortável.

A idealização da juventude podia mesmo cegar uma pessoa. Se não tivesse ouvido aquela ligação com os próprios ouvidos, talvez até agora ela ainda estivesse procurando desculpas para Vitor, tentando tornar tudo razoável.

Durante aqueles três anos, Marina sempre achou que Vitor ter voltado inteiro para o lado dela já era um presente do destino.

Ela era grata. Era feliz com aquilo.

Ela imaginava o futuro dos dois. Imaginava a felicidade que pertenceria a eles.

Mas Vitor tinha passado três anos tecendo uma rede enorme. Esperou que ela caísse nela e, sem que ela percebesse, foi fechando a saída pouco a pouco. Ele queria vê-la sem escapatória, desmoronando e lutando em vão.

E nem esperava por esse momento sozinho. Ele ainda tinha chamado uma plateia para assistir, para empurrá-la de vez para um abismo de humilhação.

Só de pensar que a pessoa que ela amava de verdade vinha planejando tudo aquilo, Marina sentia um medo e uma dor que nem sabia explicar.

Mas ela sabia muito bem que, se desse qualquer sinal cedo demais, só faria a vingança de Vitor avançar mais rápido.

Se chegasse a esse ponto, Jade com certeza ficaria do lado dele.

Por isso, ela precisava aguentar. Não podia deixar nenhuma daquelas emoções escapar.

Pensando nisso, Marina falou com um pouco de manha:

— Vitor, você é tão bom comigo. Vamos embora, pode ser?

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