POV Beatriz
A cela nunca dorme.
Ela só pisca.
Pisca em tons de cinza, em gritos abafados, em risadas que não têm humor nenhum. Pisca no barulho metálico das grades, no arrastar de chinelos, no cheiro de suor velho e desinfetante barato que nunca sai da pele.
Eu estou sentada no canto, abraçando os joelhos, tentando fazer meu corpo ocupar menos espaço do que ele ocupa. Como se isso fosse possível aqui dentro. Como se alguém ligasse.
Meu lábio ainda dói.
O inchaço desceu um pouco, mas o gosto de