POV KILLIAN NAVARRO
O elevador abre com aquele som metálico que sempre anuncia o início de mais um dia de guerra.
Eu entro no andar da presidência com a mesma postura de sempre: ombros retos, gravata impecável, respiração controlada, cara de quem aguenta o mundo pesando nas costas.
Só que hoje… existe algo além do peso comum.
Existe o eco da noite passada. Existe o gosto da pele dela na minha boca, o cheiro dela preso na minha respiração, o som dos gemidos dela ainda batendo contra as paredes do meu cérebro como uma confissão que eu nunca devia ter provocado.
E existe a culpa. A culpa de desejar, tocar, possuir, enquanto metade do mundo está ruindo.
Eu empurro tudo para fundo da mente. Eu sou excelente em compartimentar. Até que vejo Leo e o jeito que ele endireita a coluna me diz que tem algo que eu ainda não sei.
— O que agora? — pergunto sem diminuir o passo.
Leo abre a pasta, respira fundo.
— A entrevista da manhã. É sobre a nova assistente executiva.
— E? — continuo andando.
— E