POV Amara
O relógio do carro marca 21h02.
E cada minuto parece um alerta piscando neon na minha testa: Você vai ser pega. Você vai ser pega. Você vai ser pega.
Sabrina está no banco da frente ao lado do motorista, mastigando um chiclete como se pudesse mascar a própria ansiedade.
Eu, no banco de trás, tento controlar a respiração… e falho miseravelmente.
— Você está pálida — ela diz, virando só metade do rosto. — Tipo… "fantasma prestes a desmaiar" pálida.
— Obrigada pela poesia — murmuro, prendendo o cabelo num coque alto que começou a desabar. — Você sempre sabe como acalmar alguém.
— É um dom. — Sabrina pisca. — E outra: relaxa. Vai dar tudo certo. Killian provavelmente ainda está fora, fazendo aquela pose dele de CEO “eu sou a tempestade”.
Eu fecho os olhos.
— E se hoje for a exceção?
Ela dá de ombros.
— Aí a gente improvisa.
Improvisar. Logo comigo. Justo hoje. Justo agora.
O Uber vira a esquina e vejo a mansão iluminada ao longe. As luzes externas estão acesas, o que não ajuda