POV Amara
O carro para diante do portão metálico que mais parece o portão do fim do mundo.
O presídio é cinza, frio e cruel como eu lembrava, talvez pior. As paredes parecem absorver luz, esperança, tudo. Como se estivessem vivas e famintas.
O segurança olha minha identidade por mais tempo do que deveria. Talvez porque reconheceu o nome Castellari. Talvez porque está se perguntando como uma mulher grávida, metida em um vestido discreto e carregando uma pasta velha, ainda tem coragem de pisar nesse lugar.
Talvez porque já sabe que eu deveria ser a mulher destruída. A que caiu. A que virou poeira. Mas aqui estou eu: respirando. Quando ele finalmente libera a catraca, minhas mãos já tremem.
Sabrina aperta meu ombro, a voz baixa:
— Respira. Ele precisa ver você assim. Firme.
Eu balanço a cabeça, mesmo que firme não seja algo que eu tenha sido em muito tempo. Desde que a vida virou ruína. Desde que Killian Navarro arrancou tudo de mim.
O corredor é gelado, iluminado por lâmpadas que pisca