O meu surto foi muito mais forte do que eu poderia imaginar. A raiva pulsava em minhas veias como uma corrente elétrica descontrolada, e eu não entendia o porquê daquela explosão dentro de mim. Era como se ela tivesse apertado um gatilho invisível, e agora eu estivesse prestes a perder o controle por completo. Mas então, ela fez algo que me desmontou de um jeito que eu não esperava. Ela me desafiou. Olhou direto nos meus olhos, sem um pingo de medo, e mandou que eu a matasse. Disse que assim eu tiraria o fardo que ela carregava dentro dela. Aquilo me desestabilizou. O ódio ainda queimava no meu peito, mas algo mais denso, mais perigoso, misturava-se àquele turbilhão de emoções. Antes que eu pudesse reagir, ela se aproximou. E eu fiz o mesmo. Nossos corpos estavam perto demais. O suficiente para que eu sentisse sua respiração quente e entrecortada. E então, ela me beijou. Por um segundo, todo o barulho ao redor sumiu. O som do pagodinho na praça se tornou um eco distante, assim como as