CAPÍTULO 31 — REVELAÇÕES E SURPRESAS
*Rafael narrando*
Há uma semana, Flávia parecia estar bem mais afastada de mim. Notava no modo como evitava meus olhos durante o café da manhã, nas respostas curtas às perguntas sobre seu dia, no silêncio que ocupava o espaço entre nós na cama, mesmo não me negando seu corpo, parecia me negar seus pensamentos e isso me assustava muito mais que a ameaça que nos rondava. Sabia que era culpa minha. Collins e eu havíamos descoberto coisas no bar da zona leste — coisas que deixariam até os skinheads de Deividson tremendo —, mas eu a mantive no escuro. Para protegê-la, repetia a mim mesmo, enquanto ela virava o rosto toda vez que eu tentava tocá-la.
Ela também parecia querer dizer algo. Abria a boca, hesitava, e então fechava-a com um suspiro. Às vezes, pegava o telefone e digitava mensagens que nunca enviava. Às outras, ficava parada na varanda, olhando para o anel no dedo como se ele fosse uma sentença.
Porém, naquele dia aconteceu algo que deixo