O Temporal
Ariana despertou com o temporal lá fora, um estampido seco de um trovão que fez vibrar os vidros da janela. Por um segundo, não soube onde estava. O quarto escurecido, o cheiro forte de chuva, o peso no peito, tudo parecia parte de um pesadelo. Até ouvir a porta bater e ver Lívia entrar, completamente encharcada, os cabelos escorrendo água como se tivesse saído de dentro do rio.
— Ari… começou ela, ofegante.
O relógio marcava pouco depois das quatro da tarde, mas o céu estava tão preto que parecia noite. A respiração de Ariana falhou, o pânico veio imediato, instintivo, bruto. Suas mãos começaram a suar e sua garganta fechou. O coração disparou num ritmo que lhe doía nas costelas.
Tempestade.
Apenas essa palavra bastava para desmontá-la.
Ariana tinha pânico real de temporais, as mãos dela suavam, seu coração disparava e ela passava muito mal. Esse terror a temporal começou desde que seu pai Tadeu faleceu por conta de um temporal.
Era bem nesse período de março, onde as ch