Desirée
A manhã começa antes do sol.
Não porque eu esteja disposta, mas porque meus sentimentos não me deixam dormir além das seis.
Levanto da cama com o corpo pesado, como se estivesse carregando cem versões de mim mesma.
Vou até o ateliê, meu santuário, meu exílio, e acendo as luzes amareladas que deixam tudo com cara de amanhecer, mesmo quando o mundo lá fora ainda dorme.
O quadro está lá.
Do jeito que deixei ontem.
Do jeito que eu tento terminar há semanas.
Helena.
Ou melho