Marcio Mello
O vento fresco que soprava sob a varanda trazia o cheiro doce de terra molhada e flores-do-campo. A chuva tinha parado havia pouco tempo, e o céu ainda carregava tons de cinza, com alguns raios de sol ousando abrir caminho entre as nuvens. Eu estava sentado num banco de madeira envelhecida ao lado de Raila, observando o horizonte distante. O sítio da tia dela era um daqueles lugares que pareciam resistir ao tempo, com o som dos grilos e o canto dos pássaros preenchendo o silêncio.