Clara
Estamos parados no saguão, esperando Carlos chegar. O silêncio entre nós não é desconfortável, mas há algo que ainda me incomoda.
— Você não vai contar a verdade para o Rafael? — pergunto, baixinho.
— Que verdade? — Ele finge desentendimento, mas sei que não é o caso.
— Sobre o seu ombro… Sobre ter se machucado protegendo… — hesito, mas termino: — protegendo a mim.
Sinto quando ele se mexe ao meu lado, mudando levemente de postura.
— Clara, a culpa não foi sua. — O tom dele é calmo, firme.