Clara
O quarto está cheio.
Não de silêncio, como o de Miguel provavelmente deve estar agora…
mas de vozes, passos e pequenos movimentos que se cruzam o tempo todo.
Eu consigo sentir.
O som do tecido sendo ajustado.
O leve arrastar de sapatos pelo chão.
O perfume no ar — não um só, mas vários, se misturando.
E, no meio de tudo isso…
Eu.
Parada.
Respirando fundo, tentando acompanhar o ritmo do meu próprio coração.
— Fica quieta, Clara, ou eu nunca vou terminar isso — minha mãe diz, com aquele tom