Capítulo 3

Clara

A voz do narrador ecoa novamente, agora mais intensa, com uma energia elétrica no ar.

— E agora, senhoras e senhores, preparem-se para o grande momento da noite! A luta do "Rage" está prestes a começar!

O som da multidão cresce, uma mistura de gritos e aplausos, e sinto a excitação se espalhando como uma onda ao meu redor. Isabela me puxa, quase me arrastando pela multidão. As pessoas ao nosso redor gritam, ansiosas, e o barulho é quase ensurdecedor.

— Vamos, Clara! Vamos chegar na frente da arena! — Isabela grita no meu ouvido, sua voz carregada de adrenalina.

Eu tento acompanhar, mas a pressão do corpo das pessoas ao redor torna tudo mais difícil. Elas empurram, se aglomeram, e eu só consigo ouvir o ritmo apressado dos passos e o som das conversas misturadas com as explosões de aplausos.

— Eu vou te guiar, não se preocupa. Segura firme! — Isabela diz, apertando meu braço com mais força, me puxando para a frente.

Nosso caminho é interrompido por um empurrão de alguém que passa rápido demais, mas ela não perde o ritmo, me arrastando cada vez mais perto do octógono. Meu corpo sente a mudança de energia, as vibrações que acompanham o som da multidão.

Quando finalmente chegamos a uma boa posição, Isabela me empurra suavemente para frente, perto da borda. O octógono está agora a poucos metros de distância. A tensão é quase insuportável, o suspense criando um nó no estômago.

O narrador aumenta o tom de sua voz:

— O "Rage" entra no octógono agora! Preparem-se para ver a destruição que ele vai causar!

Eu não posso ver, mas posso ouvir tudo. O som do octógono sendo ajustado, os estalos das cordas, e a agitação da multidão crescendo ainda mais. O som dos socos no ar se torna nítido, e uma batida seca ecoa pelo ambiente. Minha respiração acelera enquanto o som das lutas reverbera nos meus ouvidos. Eu posso imaginar, mesmo sem ver, a intensidade daquilo tudo.

Isabela se aproxima, e eu a ouço suspirando, completamente encantada com a cena.

— Ele vai arrasar, Clara. Você não tem ideia de como ele é imbatível!

Tudo acontece rápido, o som da luta, os gritos da plateia, e cada som de impacto que reverbera até mim. Eu não posso ver, mas o som é tão vívido que quase posso sentir os músculos tensos do "Rage" em cada golpe. O som do metal ressoando, o impacto dos golpes contra a grade, o rugido da plateia. Tudo se mistura de forma caótica, mas clara o suficiente para me transportar para o centro da luta.

A voz do narrador explode no ar, carregada de emoção, fazendo a multidão ir à loucura.

— E é isso! O "Rage" vence novamente! Uma vitória surpreendente, meus amigos! Ele fez tudo acontecer mais rápido do que qualquer um poderia imaginar!

O barulho da plateia atinge um novo pico, uma mistura de gritos, aplausos e assobios que reverberam pela arena. Mesmo sem poder ver, sinto a vibração da excitação no ambiente, o impacto de cada grito que ecoa em meus ouvidos.

Isabela, ainda ao meu lado, está radiante, quase transbordando de entusiasmo.

— Eu te disse! Ele é imbatível! — Ela grita, me abraçando com empolgação.

— É, acho que você tem razão.

*****************

Após a luta, o ambiente se transforma. As pessoas começam a celebrar, gritando e dançando, enquanto o cheiro de bebida, cigarro e suor toma conta do ar, ficando mais forte a cada segundo. Isabela se perde em conversas animadas com os amigos, e eu fico no meu canto, tentando me distrair com os murmúrios ao meu redor. As conversas, longe de serem discretas, giram em torno dos lutadores. As meninas estão todas empolgadas, falando em como mal podem esperar para se aproximar deles, muitas quase desejando correr para a cama deles.

De repente, alguém na multidão grita:

— Sujou, galera! A polícia tá chegando!

O pânico toma conta. As pessoas começam a se mover rapidamente, tentando escapar antes que a polícia chegue. O som de passos apressados e de vozes alteradas preenche o ambiente. Isabela me agarra pela mão, me puxando para fora da confusão. No meio de tudo isso, sinto o desespero das pessoas tentando se esconder ou fugir da situação.

— Isso não está acontecendo — Isabela diz, quase como se não acreditasse. — Eles não podiam ter invadido agora...

Eu tento entender a situação, mas o empurra-empurra das pessoas ao redor me faz perder o controle. De repente, sou empurrada para longe de Isabela, e, sem saber para onde estou indo, acabo entrando em um local desconhecido. Fico parada ali, tentando manter a calma, mas, como não enxergo, tudo ao meu redor é apenas uma massa de sons e vozes. O caos da multidão e o barulho das sirenes da polícia se misturam, criando uma sensação de total desorientação.

Fico ali, sozinha, tentando não entrar em pânico, tentando ouvir um ponto de referência no meio de tudo isso. E, de repente, a voz de alguém corta o som da confusão.

— O que você está fazendo aqui? — Ouço uma voz, carregada de raiva, se aproximando de mim com passos firmes.

— Olá, é que durante a confusão eu acabei me perdendo e vir parar aqui — começo explicando, tentando encontrar algum vestígio de empatia, mas a sensação que essa voz me transmite é de pura indiferença.

— Você não deveria ter entrado aqui. Esse é um local proibido para o público — Sua voz é fria, e o tom de autoridade faz meu corpo se encolher involuntariamente.

— Ah entendo. É que durante a confusão eu me perdi da minha prima e então .... — continuo, mas sou interrompida pela frieza com que ele me responde.

— Isso não me importa. Apenas dê o fora daqui — Ele ordena, e meu coração acelera. O tom de sua voz é como aço, impessoal, quase como se eu fosse apenas mais um obstáculo em seu caminho.

— Certo — Acho que esse cara não é muito de conversa. Melhor eu sair daqui antes que ele me tire a força. Mas como faço isso, sem saber por onde entrei? Melhor pedir ajuda a ele. — Você poderia me ajudar a encontrar a saída? — Pergunto, minha voz já carregada de uma leve ansiedade, mas o silêncio que segue me faz hesitar.

— Olá, você ainda está aí? — Repito, a dúvida e o desconforto crescendo dentro de mim. A sensação de estar à mercê de alguém tão imponente, mas tão desconhecido, é como um calafrio que percorre minha espinha.

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