Miguel
Chegamos ao parque no final da tarde, e a primeira coisa que me chamou a atenção foi o contraste entre o céu alaranjado e as luzes piscando por toda parte. Crianças correndo, casais rindo, o cheiro de pipoca doce misturado com algodão-doce. Era um cenário que, para mim, sempre teve um toque de exagero, mas Clara parecia completamente fascinada só em ouvir o barulho.
Ela se virou na minha direção com aquele sorriso que parecia iluminar até os cantos mais escuros do lugar. Não era só o que estava ao redor que a fazia brilhar; era ela, sua energia, seu jeito de absorver o mundo de uma forma tão única que me fazia prestar atenção em coisas que, até então, eu ignorava.
Depois de comprar os ingressos, me virei para Clara, segurando a entrada na mão.
— E então, por onde começamos? Qual brinquedo você quer ir primeiro?
Ela sorriu de lado, aquele sorriso que sempre vinha antes de uma resposta inesperada.
— Na montanha-russa, é claro.
Quase engasguei com a resposta.
— Montanha-russa? Tem