Clara
A cada encontro com Miguel, é como se eu estivesse tateando algo desconhecido, mas fascinante. Ele é reservado, fala pouco, mas seus gestos dizem mais do que qualquer palavra. Eu sinto que, a cada conversa, estamos construindo algo — uma conexão delicada que não consigo explicar, mas que me faz querer entender mais sobre ele. Trabalhar ao lado dele tem sido um desafio e uma descoberta. Não sei onde isso vai dar, mas é impossível não me envolver com sua intensidade.
Hoje, decidi ficar em casa e não ir ao trabalho porque acordei com uma dor de cabeça intensa. Talvez seja o cansaço ou o peso das últimas semanas. Meu pai, como sempre, se preocupou e até avisou que chegaria mais cedo em casa para me fazer companhia. Ele tenta ao máximo estar presente, mas sua presença, às vezes, vem acompanhada de perguntas que eu não quero responder e de preocupações que prefiro evitar.
O som do motor do carro do meu pai anuncia sua chegada, e logo ele entra em casa com seu jeito animado, como se es