Um nó na garganta me impediu de falar por um segundo. Senti os olhos queimarem, mas não de tristeza. De uma gratidão feroz.
— Obrigada, Edu — consegui dizer, com a voz rouca. — Obrigada.
— Descanse, irmã. Amanhã a gente se vê, vou levar nossos pais pra te ver.
Desligamos.
A justiça, era lenta e imperfeita, mas estava funcionando. Uma das sombras que me assombravam estava contida.
Devolvi o celular a Rafael e ele me estudou, vendo a turbulência nos meus olhos.
— Célia foi presa — disse, e minha voz estava estranhamente calma. — Ela tentou dizer que eu a envenenava. Mas ninguém acreditou e ela vai ser julgada.
Rafael não pareceu surpreso.
Seu rosto ficou sério, e ele passou o braço por trás dos meus ombros, me puxando para perto em um abraço firme e protetor.
— Era o que ela merecia — ele murmurou, sua voz um rosnado baixo perto do meu ouvido. — E você nunca mais vai ter que vê-la depois do julgamento.
Apoiei a cabeça no ombro dele, fechando os olhos.
***
O amanhecer trouxe consigo