Capítulo 03

A parte mais difícil do inverno, era acordar. Ninguém merecia levantar da cama com o clima la fora querendo congelar cada gota de agua das nossas células.

Mas a droga do celular não parava de tocar. Rich girl da Gwen Stefani, continuava repetindo e, repetindo.

Puxei a coberta, cobrindo até a cabeça na esperança de que o celular parasse de tocar, mas quem quer que estivesse ligando, era persistente.

E só havia uma pessoa no mundo que adorava me incomodar em plena madrugada.

— O que você quer? — Resmunguei finalmente atendendo o celular. — Não sabe que horas são não?

— Agatha Nadja! Isso é jeito de atender sua mãe?

— Mãe?

Minha alma voltou tão rápido ao meu corpo quanto um trovão atinge a superfície terrestre.

— Me desculpa. — murmurei escondendo o rosto na coberta. — Achei que fosse a Anne.

Coisas para morrer antes de fazer, atender sem ver quem esta ligando.

— Vai casar e a última a saber sou eu?

— Mãe do que a senhora esta falando? — Desci da cama e calcei as minhas pantufas — Que casamento?

Me espreguiçei, esticando os braços e cocei o pescoço.

— O seu claro, de quem mais séria?

— Mãe a senhora sabe que horas são?

Abri a porta do banheiro e sentei-me na pia, não havia percebido que minha bexiga quase estava explodindo até aquele momento.

— Você esta acordada, então as horas não importam.

— Mãe... da para senhora ter mais um pouco de compaixão, sua filha precisa de descansar.

— Vai descansar depois que me esclareceres sobre o seu noivado!

— Mãe eu não sei do que a senhora esta falando.

Me limpei e voltei pro quarto, para minha cama quentinha e confortável.

— Não adianta esconder, filha ingrata.

Lá vem. Dona Amanda e seus dramas. Se eu estivesse em casa, ela estaria puxando minha orelha por algo que eu nem se quer tenho noção.

— Por que escondeu seu namoro de mim?

— Pela última vez, eu não tenho nenhum namorado, muito menos um noivo.

Irritada, movimentei o braço mal e acabei batendo na cabeceira. Soltei um urro de dor e soprei os dedos.

Meus olhos focaram em algo brilhante. Comecei a juntar um mais um e, os pontos foram se conectando.

— ALEXANDER VON HALTMAN!

Todo o sono e cansaço desapareceu do meu corpo naquele exato instante.

— Ele é um bom homem, não precisava esconder seu relacionamento. Eu não iria desaprovar.

Espera ai ele o que?

— Mãe de onde a senhora conheceu Alexander?

Perguntei confusa, dessa vez me sentando para analisar melhor os factos.

— Ele esteve aqui na Páscoa com o Nikolas, me apaixonei pelo garoto. Deu para ver que vocês se amam, e ele te ama.

Meu coração pareceu subir pela garganta.

Quem ama quem?

Eu, amar Alexander?

Tudo nele indica que ele é um maníaco.

De homens psicopatas ja tive a minha dose nessa vida e não quero mais.

— Mãe como você pode receber estranhos em casa, e se ele machucasse a senhora?

Minha preocupação era genuína.

Ate aquele momento, eu não havia percebido a gravidade da situação.

— Conversamos por celular antes de ele vir para cá. O Alex me contou que você decidiu manter o relacionamento no sigilo por causa da faculdade, mas agora que você vai graduar vocês decidiram se casar.

— Eu não...

— Querida eu sei que parte do seu medo veio de mim. Eu te protegi demais...

Meu medo não veio dela. Veio de não ter escutado o que ela dizia.

Se eu tivesse escutado e, ficado longe de homens ricos não precisaria de tentar apagar o passado.

Minha mãe sempre esteve certa.

Eu que fui tola, ingénua, e achei ter encontrado o amor da minha vida, porem, aquele foi o maior erro de toda minha vida.

— Mãe. — minha voz saiu arranhada e as lágrimas molharam minhas bochechas.

— Não chore querida, eu gosto do Alex, e estou muito feliz por você ter encontrado alguém que realmente te ame de verdade, agora posso ficar mais relaxada. Você tem alguém para te proteger.

Alguém para me proteger?

Ugh...

Quanto mais eu sofria, mais calada eu ficava.

Se eu contasse à ela tudo que esta em meu coração, tudo o que aconteceu comigo nesses 4 anos, ela ficaria triste?

Choraria?

Se sentiria culpada?

Eu não conheço Alexander.

Eu não amo Alexander.

Eu odeio Alexander.

Eu quero matar Jefferson Hale.

— Querida, falamos depois, preciso trabalhar. Beijos!

— Beijos...

Limpei as lágrimas e encarei o anel em meu dedo. Tentei puxar com toda força, mas foi em vão. Nada funcionava.

Na noite passada tentei de tudo, menos cortar meu dedo.

Não entendia qual era a finalidade do Alexander com tudo isso, mas eu não seria um peão em seu jogo.

Tomei coragem para fazer o que eu não fiz quando estava com o Hale.

— Adam...

Desabei em choros.

Não era só pelo Alexander.

Era por tudo.

Por todos aqueles anos.

— Por que esta chorando?

Conheci Adam por acaso e acabámos nos tornando bons amigos, foi algo instantâneo, ele era como um irmão que eu nunca tive.

— Eu quero abrir um processo contra Alexander Von Haltman. — Falei firme. — Quero ele bem longe de mim.

— Por que quer abrir um processo contra seu noivo?

— Noivo? — aquela palavra tinha um gosto amargo. — Ele é um stalker. Quero mais que ele morra.

— Chamar seu noivo de stalker está tudo bem. Não nego, eu realmente andei te observando. Agora desejar a minha morte... É feio, até para você, liebling.

Meu corpo gelou e travou.

— Alexander!

Não era uma pergunta, era uma afirmação.

Eu estava falando com Adam a segundos atrás. Afastei o celular do ouvido e olhei para o ecrã, o nome de Adam ainda estava visível.

Será que estou tendo alucinações auditivas?

— Adam?

— Alexander, mein Liebe.

— Vo-Você... O que você fez com o meu amigo?

— Amigo? Não se preocupa, liebling, eu não fiz nada com o seu irmão. Até porque qualquer familiar seu é meu também, e ele está saindo com a minha irmã.

Eu sabia que Adam estava saindo com alguém, uma garota Alemã. Mas nunca imaginária que essa garota fosse irmã do Alexander.

— Fica longe dos meus amigos. Fica longe da minha mãe. Fica longe de mim!

— Eu adorei a minha sogra. Ela é mais gentil que você, senhora Haltman.

— Guarde esse título para alguma coitada burra que vá se apaixonar por você.

— Se auto amaldiçoando, liebling?

— Marque as minhas palavras, Alexander Haltman. Eu prefiro andar sobre brasas à me entregar para você!

— Eu sou seu Agatha, tal como você ainda será minha.

Cortei a ligação, me joguei na cama e fiquei olhando para o teto sem saber o que fazer.

A notícia número um em todos os sites de fofoca era o meu suposto noivado com o empresário Alexander Haltman.

E o pior nem era a notícia em si, mas a repercussão que ela havia causado.

Era minha palavra contra a de Alexander Von Haltman e inúmeras magazines.

Para o mundo, deixei de ser uma zé ninguém há noiva de um dos homens mais ricos do mundo.

Uma notificação entrou me tirando dos devaneios. Era a confirmação de uma transação.

Confirmado, você acabou de receber 1 000 000 Euros.

Ironia do destino.

Quando desejei ser rica, não foi assim que pedi.

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