Capítulo 04

Me digam por que eu estava correndo?

Acho que qualquer um na minha situação também correria.

Quando acordei nessa manhã e me preparei para sair de casa, não imaginei que teria um nincho de paparazzis aguardando a minha descida.

Vou ter que colar essa experiência como uma das piores na lista da minha vida.

Segurei a bolsa com força, não so a alça, naquele momento era tudo ou nada. Preferia virar uma campeã de atletismo a ter que ser pega por um bando de lunáticos.

Nem eu fui tão louca quando fui para a comicon e pude ver Jensen Ackles a vivo e a cores. E olha que eu surtei.

Mas não fiquei importunando a vida do homem.

— Agatha?

Alguém chamou por mim, mas nem se quer me atrevi a olhar para trás. Vai que os paparazzis e fãs louca do Haltman me pegassem.

— Garota, do que você está fugindo?

Olhei pro lado e vi Harry, o namorado da minha melhor amiga me seguindo em sua moto. Acelerei os passos, porem travei quando meu cérebro processou quem ele era.

— Está fugindo do quê?

— Te explico mais tarde, me leva ate a faculdade.

— Sobe aí.

Coloquei o capacete de reserva e subi na garupa de sua moto. Me segurei nele com força, pois eu não era lá uma grande fã de veículos com duas rodas.

Em frações de alguns minutos já havíamos chegado ao nosso destino.

— Obrigada Harry.

Devolvi o capacete e acenei me despedindo.

— Agathaaaaaa...

Meu cérebro mal conseguiu assimilar o que havia acabado de acontecer e, agora Anne estava se jogando para cima de mim.

— Mulher, você está famosa.

Revirei os olhos e me afastei dela.

— Eu sei, que pesadelo.

Suspirei.

Na vida devemos ter cuidado com o que desejamos.

Se não podemos acabar conjurando um demónio alemão de 1, 88 m, loiro, rico, carismático, que sabe muito bem distorcer a realidade.

— Pesadelo? — Ela perguntou indignada. — Quem não iria querer casar com o Von Haltman. Alexander Von Haltman. Se ele me pedisse em casamento, saiba que eu não recusaria.

— Só para constar que sou seu namorado e ainda estou aqui! — Harry desligou sua moto e desceu ficando encostado nela.

— Ah Harry você está aqui, nem notei. — ela sorriu e mandou um beijo no ar para ele.

— Voltando ao assunto o momento. — Ela segurou as minhas mãos — Você escondeu esse relacionamento de mim, sua melhor amiga muito bem. Me sinto traída.

— Eu conheci Alexander a 6 dias atrás. — Puxei minhas mãos. — E eu não estou noiva dele.

— 6 dias atrás? — Anne franziu as sobrancelhas. — Não. Me lembro que uma vez meu pai foi a um jantar de negócios e insistiu em me levar junto. E você não vai acreditar quem eu conheci lá!

Era incrível como Anne sempre tinha todas as oportunidades para ir direto ao assunto, mas preferia fazer suspense.

— Quem? — perguntei.

— O seu noivo. — Ela deu dois t***s em meu ombro. — Naquele dia achei estranho como ele ficou fazendo perguntas sobre você, afinal vocês ja estavam namorando.

— Ele perguntou sobre mim? — Ela assentiu. — E você não achou estranho isso?

— Por que?

— Ele era um estranho e você deu a ele informações sobre sua melhor amiga! — respondeu Harry.

— Muito obrigado Harry. Pelo menos você tem senso de segurança.

— Vocês têm razão. — ela baixou a cabeça. — Eu não deveria ter falado. Prometo que nunca mais deixarei a beleza me cegar!

— Anee Bloomwood!

Harry puxou ela para seus braços e a beijou.

Estava escrito em seus jestos que ele estava farto da namorada falando de outros homens como se fossem nada.

— Eu direi isso, e só direi uma vez. EU NÃO ESTOU NOIVA DO ALEXANDER HALTMAN!

— Para quem nega o noivado com grande afinco, você exibe este anel de diamantes com grande veemência.

— Virou Shakespeare agora Harry?

— Contra factos não há argumentos.

— O Harry está certo. Por que negar se todos os factos apontam para um único caminho. — Anne comentou.

— POR QUE NEGAR? — perdi a cabeça por alguns instantes. — Por que negar você Anne, me diga?

— Agatha...

— Não é só você Anne. — limpei uma lágrima que ameaçou cair. — Ninguém acredita em mim, até porquê não acreditaram antes!

— Me desc...

— Não! Você como minha melhor amiga deveria primeiro escutar o meu lado da história.

Apontei para ela, na verdade eu sabia que não tinha motivos para descarregar nela, mas não conseguia parar.

— E você Harry, acha mesmo que eu queria andar com um diamante de sei lá quantos quilates. Eu tentei de tudo para tirar e não consegui!

Os dois ficaram em silêncio talvez porque sou alguém que nunca se altera, que sempre vive no limite da linha de tensão.

Mas toda essa história de noivado com um homem que eu mal conheço estava me deixando saturada ao extremo.

Dei as costas e os deixei parados, talvez eu estivesse fugindo talvez não. Fui para o único lugar onde sei que ninguém iria me interromper. A biblioteca.

Tinha muita coisa para terminar antes da minha graduação e precisava correr com o tempo. Visto que faltava menos de 2 meses.

Tentei me concentrar a todo custo, mas meus pensamentos continuavam girando em torno de Alexander Haltman.

As pessoas não precisavam de cair na mesma poça de lama duas vezes para saber que naquele caminho havia uma poça.

Toquei em meu ombro esquerdo e senti a cicatriz mesmo debaixo de todo tecido. Ela estava alí, como um lembrete, de que eu ja havia caído naquela poça uma vez, não necessitava da segunda.

Quando dei por mim, a biblioteca já estava quase vazia, o sol havia dado lugar a noite estrelada e o clima havia se tornado mais congelante.

A neve havia chegado muito mais cedo naquele inverno.

Peguei um taxi, mesmo sabendo que a aquela hora o preço seria um rim, mas eu tinha esse rim para gastar, e em euros.

Tentei devolver o valor. Mas a transação sempre cancelava.

Se ele tinha dinheiro para gastar, eu usaria como compensação para os danos morais e psicológicos.

Cheguei em casa toda estoirada psicologicamente, mas não esperava encontrar Anne, nem Harry, muito menos depois do nosso argumento pela manhã.

— Como foi que vocês entraram aqui?

Claramente eu havia mudado todas as fechaduras. Eles se entreolharam e olharam pro banheiro, meu olhar seguiu a mesma trajetória que a deles.

Mas somente encontrei a porta do banheiro fechada.

— Me desculpem. — tomei a iniciativa. — Eu não deveria ter falado aquelas coisas.

— Nós que pedimos desculpa, não deveríamos ter te puxado ao limite. — disse Harry.

— Deveríamos ter esperado pelo momento em que você se sentisse confortável para nós apresentar a ele. — Anne completou.

Sorri.

— Encomendaram Pizza?

— Ehh... — os dois voltaram a trocar olhares suspeitos.

— Nós queríamos saber como você estava depois dessa manhã, mas você não atendia então decidimos vir a sua casa... — Anne disse rápido demais — e quando chegamos eles já estavam aqui.

— Eles? — perguntei confusa.

— Oi, mein liebe.

Um zumbido agudo passou pela minha cabeça, foi como se parte de mim tivesse se dissociado.

Mein Liebe?

Só uma pessoa me chamava assim!

— Só podem estar de sacanagem comigo!

Esfreguei os olhos na esperança de estar vendo mal.

— Nós não temos culpa de nada. — Harry disse levantando os braços.

— Liebling?

Não é verdade.

Se eu ignorar, ele vai desaparecer.

É só ignorar.

— Acho melhor a gente dar um fora daqui. — Harry sussurrou para Anne.

— Concordo.

Os dois se levantaram e decidiram dar volta pelo sofá a passar do lado.

— A gente já vai. Até a próxima Senhor Haltman.

Dito isso, os dois praticamente evaporaram.

— Não se aproxima de mim!

Peguei em um vaso e apontei para ele. Eu tinha um vaso e um único alvo.

— Você deve estar cansada. — Ele caminhou ate a bancada da cozinha e pegou na caixa de pizza remanescente. — Coma para ter mais forças de brigar comigo.

— Acha mesmo que não vou atirar?

— Sei que você vai!

Deixou a caixa na mesa de centro e se afastou.

— Soube que andou me investigando, achou algo de interessante?

— Você acha mesmo que eu não vou jogar esse vaso em você Alexander?

— Eu sei que você vai, porém nosso filho está dormindo agora, o que você diria a ele depois de bater em mim?

Ele se sentou no sofa, até aquele momento eu não havia percebido o quão aquele apartamento era pequeno.

— Nikolas mal completou 5 anos.

— Para de usar uma criança para me chantagear.

— Não guerra e no amor vale tudo, mein liebe. E eu estou disposto a tudo para te fazer minha esposa.

— Quem quer ser sua esposa? Deus me livre desse castigo!

— Como te livrar se eu sou o anjo enviado para ti.

— Sai daqui seu satanas.

— Esse cúbico não dá. Amanhã você se muda para um apartamento melhor e mais seguro!

— Dispenso da sua bondade.

— Não é bondade, é por segurança. Quando eu cheguei tinha um homem olhando diretamente para o seu apartamento.

Um homem?

Meu coração gelou.

Será que era ele?

Não, não podia. Ele se mudou e tem uma medida restritiva.

— Como ele era?

— Loiro, alto e vestia tudo preto.

O vaso escorregou das minhas mãos e senti minha cabeça girando.

Tudo aconteceu tão rápido e ao mesmo tempo em câmera lenta. Alexander envolveu sua mão em minha cintura e com o braço livre segurou o vaso.

Nossos rostos ficaram tão próximos que senti a respiração cortando. Ele me ajudou a sentar e me deu um copo de água.

— Está tudo bem?

— Obrigada.

— Ainda quer que eu vá embora?

Apertei o copo com força.

Eu queria que ele fosse, mas não queria ficar sozinha.

E se ele entrasse no meio da noite?

E se a história se repetisse?

— Você pode ficar só por essa noite, por causa do Nikolas, não quero acordar ele.

Ele sorriu sem mostrar os dentes e colocou a caixa de pizza em minhas ancas.

— Coma.

Olhei desconfiada, ele pegou uma fatia para ele e comeu.

— Sobre a mudança?

— Eu posso me mudar, mas você não pode ter acesso a casa. Fica longe dos meus amigos e da minha mãe.

— Combinado.

— Tão fácil assim?

— Quer que eu me mude com você também? Posso fazer isso.

— Combinado.

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